JÁ ROLOU
VAI ROLAR
FLASH
ENTRE ASPAS
NOTICIAS
PERFIL
ESPAÇO FAESF
QUEM SOMOS

ENTRE ASPAS

Com Jairo Lecter

(89) 9973-6200
j_cobain44@hotmail.com

 

Sempre fui contrario aos benefícios concedidos pelo Governo Federal para ajudar a população mais carente do nosso País, isso porque sou da corrente que acredita que benefícios como o bolsa-familia e auxilio-gás apenas incentivam a vadiagem ao passo em que desestimulam as pessoas a procurarem emprego para obterem sua renda de forma digna e saudável.

Descontente com as dezenas de auxílios já criados nos últimos anos, eis que o nosso querido e “internacionalizável”  presidente surpreende mais uma vez com sua criatividade inabalável promulgando a criação do Auxilio-Reclusão.

Isso mesmo.

Auxilio-Reclusão.

Todo presidiário com filhos tem direito a uma bolsa que, a partir de 1º/1/2010 é de R$798,30 por filho para sustentar a família, já que o coitadinho não pode trabalhar para sustentar os filhos por estar preso. Mais que um salário mínimo que muita gente por aí rala pra conseguir e manter uma família inteira.

Ou seja, Bandido com filhos , além de comandar o crime de dentro das prisões, comer e beber nas costas de quem trabalha e/ou paga impostos, ainda tem direito a receber auxílio reclusão da Previdência Social.

Grana boa. Da até pra pagar o consorcio de um carro, ou aluguel de uma boa casa, entre outras coisas.

Mesmo que seja um auxílio temporário, prisão não é colônia de férias.
Isto é apenas mais um incentivo a criminalidade no nosso País, formado por corruptos e ladrões.
.
Não acredita?
Confira no site da Previdência Social.
Portaria nº 48, de 12/2/2009, do INSS
http://www.previdenciaocial.gov.br/conteudoDinamico.php?id=22

 Ah, e não que eu esteja incentivando a criminalidade mas, amigo que sou, deixo um alerta a vocês, meus caros leitores: Se estiverem pensando em cometer algum crime não esqueçam: Fazer um filho antes pode ser um bom negócio...

 
 

Direitos de imagens?

            Assim como no ramo automobilistico,  as transformações no âmbito jurídico alcançam uma velocidade tal a ponto de hodiernamente não mais se ter um conceito – ou um carro – considerado imutável ante a sua estabilidade vitoriosa durante determinado lapso temporal, como dizia Tacilene Dia Gouveia de Sales.

Assim encaro o ocorrido com os direitos da personalidade, mais especificamente o direito à imagem, face à enorme repercussão que o mesmo ressoa, justamente por sua fácil notoriedade. O fato é que o que antes se entendia por indisponibilidade deste direito está se tornando um verdadeiro “oferecimento” daquilo que deveria ser alvo de salvaguarda e preservação. E tudo acontece de forma quase que imperceptível aos nossos olhos; de repente nos acostumamos com as novidades e nem sequer damos conta de quantos valores perdem a sua estima quando o que se mira é a esfera patrimonial.

Alguns chegam mesmo a fazer dos seus “direitos disponíveis” um verdadeiro mercado, passível de oferta e demanda, tabela de preços, promoções em determinada época do ano, e assim por diante.

 Discorrendo superficialmente até parece difícil vislumbrarmos tal possibilidade. Infelizmente não é o que observo. Basta folhear uma revista, ligar a TV ou pôr um anúncio num jornal à procura de órgãos em perfeitas condições de serem transplantados. Na revista iremos encontrar inúmeros “flagrantes” de artistas famosos nas horas que para eles deveriam ser de lazer, mas que acabam se tornando uma verdadeira diversão para aqueles que sentem prazer em tomar conhecimento da vida alheia e um meio de sobrevivência para outros tantos que chamam a isso “profissão”. Na TV vamos nos deparar com programas nos quais pessoas minuciosamente selecionadas simplesmente cedem a sua imagem num jogo em busca de dinheiro fácil.

E enfim, o que era para ser um exemplo de solidariedade ou contribuição científica tomou contornos diferentes, podendo-se falar num vergonhoso comércio de órgãos.

Coisas como estas nos revoltam e nos deixam descrentes. E o “país do sol”, conhecido também como “país do futuro” embora evolua tecnologicamente, apenas retroage socialmente.

Descaso. Fome. Insegurança.  Injúrias.

Ainda bem que os terremotos ainda não chegaram...

 Jairo Lecter.

 

 

50 strippers e meio quilo de pó. 

Uma piada de mau gosto em relação aos Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro marcou a entrevista do ator americano Robin Williams a David Letterman, na TV norte-americana .  

Convidado do 'Late Show', Williams disse que Chicago entrou em 'desigualdade de condições' em relação ao Rio de Janeiro na escolha da sede, promovida pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) no dia 2 de outubro , em Copenhague , na Dinamarca.

 - Chicago mandou Oprah (Winfrey, apresentadora de TV) e Michelle (Obama, primeira-dama). O Brasil mandou 50 strippers e meio quilo de pó.

 OK, tudo bem, devo reconhecer que o País é reconhecido internacionalmente pelo seu carnaval, com aquelas mulheres semi-nuas e de corpo incrivelmente sarados, assim como reconheço que o Trafico de entorpecentes é um grande problema enfrentado por nosso País, mas, convenhamos, Se algum de vocês tivesse um irmão com problemas, tipo síndrome de DAWN, gostaria de ouvir chamarem-no de mongolóide? É claro que não!

O tal Robin foi no mínimo, mal educado, inconveniente e mal intencionado. Mas tudo bem,  foi apenas uma piada sem graça feita por um ator decadente.           

Mas, o mais engraçado nisso tudo é que o Governo aproveita estes momentos para fazer o Brasil de vitima e contra-atacar em um clamor social de alta escala.

Aliás, só o Brasil faz isso. Só nosso País é que se preocupa tanto com a imagem a ser passada para o exterior. Quem nunca ouviu, por exemplo, que a Suécia é o país do swing (troca-troca); Quem não zoa com a Holanda só ter maconheiro? Que o Paraguai só tem falsificados e contrabandistas?

Enfim, cada País tem seus defeitos, que são motivos de chacota internacional, mas o Brasil é o único que fica se preocupando excessivamente com a imagem.

           O desenho americano “Os Simpsons”, por exemplo, exibiu episódios zombando da cultura e dos povos do mundo inteiro, mas só o Brasil sentiu-se ofendido e repudiou em nota oficial a série televisiva.

Ora, deixemos disso.

           Se queremos acabar com a imagem de sermos o “país das putas”, devemos fazer por onde.

Essa hipocrisia é que não dá... a gente faz, mas os outros não podem falar...

 
 

É azar demais...

Sabe aqueles momentos da nossa vida em que tudo, absolutamente tudo dá errado?

Pois é, parece que estou passado por um desses momentos ( novamente).

Ando tão azarado ultimamente que aqueles velhos corolários da famosa Lei de Murphy aplicam-se fielmente ao meu cotidiano.

Quase todo objeto que tenho tocado ultimamente têm-se quebrado de uma forma não convencional. Como exemplo, posso citar um certo prato de vidro bastante resistente que, logo após eu tirar-lhe do porta-prato e colocar-lhe sobre uma mesa, quebrou, assim, sem mais nem menos. Até mesmo um felino que apareceu estes dias aqui em casa sofreu um grave atropelamento minutos após eu passar-lhe levemente a mão na cabeça. Teve também um grande amigo meu que há muito eu não via. Abraçamo-nos, conversamos um pouco e cada um seguiu sua vida. Fiquei sabendo que naquele mesmo dia, um pouco mais tarde, ele havia perdido o emprego. Alguém usou seu computador pra enviar fotos por e-mail de padres transando com garotinhas holandesas.

Evidentemente senti-me muito culpado. Aliás, ando me culpando de tudo. Atribui-me culpa até mesmo pela queda de rendimento do meu time de coração. Pode ser pura superstição, mas desde que passei a assistir os jogos em um telão de um certo bar bebendo um certo refrigerante meu time ( que estava em balado em uma sequência de vitorias) nunca mais venceu . talvez seja culpa do bar, ou daquele enorme telão, ou ainda daquele maldito refrigerante.

Independente de quem seja a culpa o certo é que naquele mesmo dia, voltando pra casa, “trupiquei” na ponta de uma pedra, dei três cambalhotas e rolei algumas vezes no chão até cair de cara no esgoto. Confesso que nada disso doeu tanto quanto a distensão no tornozelo esquerdo, quando minutos depois, “trupiquei” novamente, em uma outra esquina, em uma outra pedra.

Pra completar fui no hospital e, além de não ter nenhum médico de plantão ( o que é perfeitamente normal aqui) também não tinha nenhuma enfermeira ( Pode?).

Muitas outras coisas aconteceram, porém prefiro encerrar este texto antes que meu computador pare de funcionar (aliás algumas teclas do teclado já parou de funcionar, fazendo com que eu tenha que recorrer ao teclado digital do Windows).

A todos vocês um forte abraço. Vou-me deitar. Descansar um pouco. Despeço-me rezando para que o meu ventilador ao menos ainda funcione...

 Jairo Lecter.

 
 

Os homens amam?

Por Jairo Lecter e Karitta Leal.

Qualquer pessoa que tenha passado os últimos oito ou dez anos em uma prisão ou em um leito de um hospital qualquer com certeza chocou-se ao deparar-se com a “nova realidade mundial”.  E não estou falando aqui apenas das novas aparelhagens tecnológicas e todas essas baboseiras. Não! Refiro-me as pessoas em si, na sua essência propriamente dita e os costumes incorporados ao novo modelo social (embora não seja tão novo assim). Hoje em dia o negocio é estar na moda, independente de quanto isso possa custar ( economicamente e até mesmo moralmente). E se é pra seguir a moda, vamos segui-la à risca e a moda agora é... andar pelado. Isso mesmo.  

Talvez eu até esteja sendo meio exagerado, mas basta irmos a uma festa ou qualquer lugar com grande concentração de pessoas em finais de semanas pra percebermos mulheres com roupas cada vez mais curtas e decotes cada vez mais ousados, quase que como uma resposta às camisas cada vez mais apertadas nos braços malhados dos homens.  Esse jogo de sensualidade e auto-afirmação talvez seja o grande responsável pela banalização dos relacionamentos atuais. Os caminhos do nosso próprio coração as vezes parecem tão estranhos que nem com o auxilio de algum GPS é possível encontrar a estrada certa, e certamente o “trem do amor” a essa altura, já saiu dos trilhos.

 Exageros a parte, tornou-se mais fácil acreditar nas promessas dos políticos de nosso País, do que as mulheres acreditarem na fidelidade dos homens. A maioria pensa, com alguma razão, que nós queremos apenas sexo, enquanto outras, após varias tentativas de relacionamentos sérios frustradas, preferem convencer-se que os homens são todos iguais. Há ainda um grupo minoritário de mulheres, mas em uma crescente considerável, que frustram-se tanto com homens que jogam pra escanteio o papo de “os sexos opostos se atraem” e tentam um relacionamento homo afetivo (Nada contra, afinal,  mulher é um “bicho” muito bom mesmo).

Seria tudo isso injusto para com nós, homens? 

Afinal, os homens amam?

Amam sim! Ou melhor, amamos sim.

Amamos aquelas bundas empinadas e aquele gingado baiano ( até parece que toda mulher  tem que saber rebolar).

Amamos aqueles cabelos lindos e lisos e se não for pedir demais, Louros.

Aquelas pernas delicadas,(e de preferência sem pêlos)

Amamos aquelas unhas lindas e com aquele esmalte que nunca saberemos qual a cor.

Aqueles seios Duros e empinados( o que certamente só ocorre com os de silicone)

Amamos até aquelas crises femininas (ou seriam feministas?), e assuntos intermináveis, porque só assim arranjamos tempo pra pensar sobre aquele gol perdido do jogo de ontem.

 Amamos tudo isso, e muito mais.

 O que ocorre é que, em meio a toda essa desconfiança das mulheres para com os homens, ficou difícil para nós, demonstrar esse tipo de sentimento.

 As mulheres ainda nos vêem como um caçador, com aquela lança enorme em mãos (e a tanga estilo Tarzam) saindo para caçar e deixando-as sozinhas, cuidando das crianças e da comida enquanto pensam que podemos estar naquele momento com outra mulher qualquer ( Sim, qualquer...).  E sabemos que vocês mulheres pensam desse jeito. Melhor, sabemos que temem a nossa liberdade, ainda que mínima, simplesmente por acharem que vamos trair por INSTINTO. Natureza humana, instinto, não se foge.

 Mesmo resignado, tenho que concordar que nós homens traímos não pela vontade (coitadinhos) mas sim pela natureza que os ensinou a “sempre estar caçando fora de casa e com a certeza que tem que voltar”(as vezes)  .Mas existe grande diferença entre instinto e amor e (alivio as leitoras aflitas por alguma luz no túnel), nós homens mesmo traindo conseguimos amar. Sempre vai existir o “caçador” dentro de nós (ou pelo menos da maioria), e quando amamos de verdade a diferença é que voltamos. Não propago a traição, ou a aceitação conivente dela, só me atenho ao fatos que os tornam verdadeiros.

 É claro que as mulheres, prefeririam escutar o contrário ou que os homens traem porque são canalhas (saudoso Nelson Rodrigues que tanto entendia desse tema).Mas a verdade é que  não se deixa de amar só por que em algum momento, num ímpeto do momento a natureza falou mais alto( e quase sempre ela fala), pois para as que julgam terem do seu lado um homem que na verdade parece pertencer a uma outra espécie, apático e difícil de se compreender,  o que falta( se não já teve) é oportunidade. E embora não sejamos todos iguais, somos de certo modo previsíveis. Como diria Tolstoi existe basicamente dois tipos de homens: os que primeiro pensam, depois falam e, em seguida, agem; e os outros que, ao contrário, primeiro falam, depois agem e, por fim, pensam.

Não que eu promova a aceitação da traição, ou a inserção dela num relacionamento, e nem perdoaria uma ,mas sou cético, não submisso a preceitos frágeis de que quem ama não traí. Para terminar um pensamento de um inglês “A traição nunca triunfa. Qual o motivo? Porque, se triunfasse, ninguém mais ousaria chamá-la de traição.” (J. Harington).

Os homens amam?

Amam sim!

E tenho dito!

 

Aproximamo-nos do final da primeira década do século XXI. Rumores sobre o fim dos tempos são cada vez mais freqüentes e assuntos debatidos há longa data como o petróleo, camada de ozônio e poluição ambiental tornaram-se cada vez mais presentes e atuais.

A nosso ver, porem, um problema maior tem se desenvolvido sem que tenha se dado a devida importância. Este problema é, pois, os relacionamentos modernos.

Não é nenhuma novidade que os relacionamentos têm durado cada vez menos e que a busca pelo amor parece algo infindável.

Se por um lado as mulheres passam a vida procurando o príncipe encantado e quando o encontram ficam cheias daquele mimo todo e percebem que na verdade não era bem aquilo que queriam, por outro lado os homens vivem na busca incessante pela mulher perfeita.

 Como disse a Dr. Maura de Albanesi: “Hoje em dia as pessoas vão morar só, para adquirir independência. Os casais começam a morar juntos, para experimentar a vida a dois, antes de assumir um compromisso de casamento, e muitas vezes só pensam em se casar com a idéia de um filho. A duração da relação está intrinsecamente ligada a intensidade e a profundidade da relação, quando isso se esvai, a relação termina, alegando incompatibilidade de gênio.

E é justamente na busca desta profundidade, que os casais caem na própria armadilha.

Esperam por uma comunicação aberta, onde tudo deve ser partilhado com o parceiro, desde os seus casos antigos, até casos atuais, não suportam o sentimento de ser excluído da intimidade do outro, quando são traídos querem saber os detalhes, apresar de sofrido, atenua o sentimento de exclusão. Neste desejo de transparência doentia esconde-se o desejo de controlar o parceiro. A lealdade absoluta além de cruel é grosseira.”

  A bem da verdade, o que acontece hoje em dia em que os relacionamentos são vividos cada vez mais intensamente em um menor espaço de tempo possível. Por conta disso ambos se cansam da relação, e aquele papo todo de fidelidade pode ir por água abaixo. A mulher talvez seja a mais afetada nestas relações modernas, pois se cansa muito do seu parceiro, ao perceber que todas as esperanças que depositou nele não foram correspondidas.  

Como bem disse um escritor japonês, do qual não lembro o nome, a mulher farta-se porque tem esperado muito do homem, e o pobre do homem não pode preencher tanta expectativa. As mulheres são mais imaginativas; transformam em herói um Zé qualquer. Aos seus olhos românticos qualquer idiota parece um Gautama, o Buddha. E lentamente, lentamente, à medida que se vão aproximando dos seus grandes heróis, não encontram gigantes, encontram apenas pobres seres humanos normais. E instala-se a frustração. Ampliaram-nos e exageraram as suas qualidades – Mas não se pode viver sempre a ver as coisas por uma lente de aumentar. Mais cedo ou mais tarde, terão que enfrentar a realidade. A realidade é apenas um homem chateado, completamente desinteressante. E o homem – o homem não é tão imaginativo, mas o seu instinto biológico mantém-no quase dopado, e quando drogado pelo seu instinto biológico, qualquer mulher feia lhe parece uma Cleópatra. Os olhos do homem ficam velados por uma loucura biológica.

Quem diz que o amor é cego tem razão. O homem começa por ver com os olhos tapados; ele receia destapá-los porque a realidade pode ser decepcionante. Mas durante quanto tempo se pode viver tapando os olhos? Mais cedo ou mais tarde terá que olhar para a mulher por quem estava obcecado.
A fixação biológica desaparece depressa; é meramente química, hormonal. Uma vez que se está sexualmente saciado com a mulher, toda a cegueira, toda a loucura desaparece. Volta-se à racionalidade, e vê-se apenas uma mulher como as outras.

  Entre contradições e questionamentos portanto, sobrevive os relacionamentos modernos, mesmo que em laços fracos. Não importa. O que de fato é importante é o amor, pois este sim é o pilar de todo e qualquer relacionamento, o amor, sem qualquer explicação, pois como diria Roberto Freire "Quem começa a entender o amor, a explicá-lo, a qualificá-lo e quantificá-lo, já não está amando."

 Boa Semana a todos.

 

Saudações. Bom, estou de volta depois de uma semana difícil que tive ( na verdade nem tão difícil assim). Desta vez, nada de textos críticos nem coisas do gênero ( já estou me acostumando com isso). Como forma de agradecimento pelo apoio que tenho recebido e atendendo a milhares de pedidos ( na verdade foram apenas 2) tenho a honra de postar o 3° capitulo da saga de Zé Doca...

Boa Leitura!

 
Capitulo 3
 

Manoel Alberôncio Leomar Miranda Clementino Albuquerque Furtado da Silva Pereira, o vulgo Zé Doca, é um aretino de vinte e quatro anos. Seu extenso nome foi dado por seu Pai em homenagem a alguns de seus irmãos - evidentemente a homenagem só foi prestada aos irmãos que ele mais tinha apreço, já que ao todo eram trinta e dois. Sabe como é né? Não tinha televisão... Nada pra fazer...

Zé Doca é filho de um casal de lavradores naturais da cidade de Logo-em-Seguida, que fica quilômetros depois de Aqui – Perto, bem próxima do município de Daqui-Não-Passa. Alguns cientistas e especialistas em Anatomia, depois de longos anos de pesquisa, concluíram em unanimidade que Daqui-Não-Passa é realmente o c... do mundo.

No final da década de cinqüenta o ainda casal de enamorados Jucélio Amaral da Silva e Filopência Pereira atraídos pela proposta de terras distribuídas gratuitamente pelos Bavarianos, migraram para Aqui – Perto.

Jucélio e Filopência casaram-se logo ao chegar na cidade. Na época ele tinha vinte e seis anos, e ela treze. Pouco tempo depois, com a ajuda de amigos, construíram uma casa, aonde posteriormente a mãe de Jucélio veio morar com o casal. Dois anos depois Zé Doca (literalmente) veio ao mundo.

Quando Zé Doca nasceu ninguém o esperava. Na verdade ninguém sabia que Filopência estava grávida. Nem ela mesma sabia. Um fato curioso é que durante toda a gestação a sua barriga não aumentou um centímetro sequer. E foi num domingo pela manhã, quando Filopência voltava do rio para sua casa com uma lata d’água na cabeça que Zé Doca nasceu.Não houve parto. Zé Doca simplesmente “saiu” do seu corpo e rolou pelo chão. A principio ela não percebeu nada. Quando foi se dá conta já tinha arrastado o menino por pelo menos dez metros. Filopência olhou para o chão e viu aquela coisa esquizofrênica; levou um susto, não se deu conta que era uma criança. Foi então que ela viu o cordão umbilical que os ligava e foi tomada por uma súbita emoção. Rapidamente jogou a lata d’água no chão, pegou o menino e correu para avisar ao marido. Juscélio ficou muito intrigado com o fato, e mais ainda com aquela criatura esquizofrênica.

 O menino era muito franzino. A cabeça era desproporcional ao corpo, as orelhas eram mínimas, o nariz mais parecia o focinho de um rato, e os olhos eram tão pequenos que pareciam estarem fechados. Um médico foi chamado, tirou suas medidas. Depois o médico deu-lhe umas palmadas leve na bunda a fim de fazê-lo chorar, mas não foi ouvido nada. Repetiu as palmadas e nada. Então virou o menino e olhou fixamente o seu rosto. A expressão facial da criança era a mesma de qualquer pessoa que estivesse chorando, mas não era possível ouvir um ruído que confirmasse o fato. O doutor encostou levemente sua orelha á boca do menino e percebeu alguns sons desconsertados. Ufa! Que alivio! O menino não era mudo, apenas não tinha força suficiente para chorar em bom tom.

O casal agora tinham um filho.

No começo ele não ficou muito feliz com isso. “É mais uma boca pra sustentar!” dizia ele, mas com o tempo passou a gostar do garoto. Como seus pais trabalhavam o dia inteiro na roça, Dona Rita, avó do garoto, eram quem cuidava dele. Nunca foi amamentado, vivia a base de mingau de farinha. Dona Rita achava muito complicado o nome do garoto, toda hora lhe arranjava um diferente.  Resolveu então dar-lhe um nome mais simples, mais fácil de falar.         Escolheu a alcunha Zé Doca ao folhear algumas páginas do livro 100 Lugares que você NÃO deve visitar quando estiver no Maranhão.
            Aos sete anos, o menino deu seus primeiros passos. A maior dificuldade era conseguir se equilibrar naquelas pernas finas que pareciam dois alfinetes. De repente, o menino tranqüilo e sereno transformou-se numa criatura impulsiva.     Andava pela casa derrubando tudo que encontrava. A velha coitada; passava o dia tentando arrumar a bagunça do menino, em vão é claro. Um ano depois o menino pronunciou suas primeiras palavras. Foi um dia muito emocionante para toda a família. Era uma noite de sábado...

            - Vamos filho, repita comigo: Papai! - disse Jucélio sentado na sala.

            O menino nem abria a boca.

            - Papai, diga: Pa- pa – i! - insistiu Jucélio.

            O menino continuava sem dizer nada.

            - É fácil vamos, é só dizer Papai ó: Pa – pa – i. – falou Jucélio já perdendo a paciência.

            O menino não dizia nada. Nem parecia estar ali.

            Jucélio então suspendeu o menino á altura dos seus olhos e proclamou:

            - Vamos menino burro, diga Papai!

            O menino então encarou-o por um instante e depois soletrou bem alto:

            - Me sol-ta ba-i-to-la!

            No mesmo ano que aprendeu a falar, Zé Doca foi matriculado numa escolinha do município. O menino era um peste. Estava sempre metido em confusões. Quase que diariamente seus pais recebiam uma reclamação formal da diretora intimando-os a comparecer na escola. A maioria das confusões nas quais Zé Doca se metia diziam respeito a algum apelido que lhe era dado por seus colegas de classe. O que mais o irritava, e o mais freqüentemente utilizado pelos seus amigos, era “cabeça de melancia”.Apesar de tudo Zé Doca adorava a escola. Adorava ler, escrever, brincar com os amigos. Era muito feliz ali. E sentiu muito quando foi forçado a largar os estudos ainda na segunda série para trabalhar. Isso devido a morte de seus pais. Jucélio e Filopência foram cruelmente assassinados numa plantação de cana na qual trabalhavam. Os corpos foram encontrados totalmente dilacerados. As genitálias de ambos foram encontradas em uma panela próxima ao local e, ao julgar pelo vidro de óleo,um pequeno tubo de sal e um isqueiro, que foram encontrados no local, a intenção dos criminosos não eram das mais dignas. O crime permanece um mistério. Zé Doca ficou abalado. Dona Rita mais ainda. O rapaz teve então que se virar para sustentar-se e cuidar da velha.

            Zé Doca era muito astucioso, sempre encontrava uma maneira de garantir o pão de cada dia. Á noite, quando não estava trabalhando,gostava de freqüentar a praça da cidade onde costumava cogitar sobre a vida, o universo e tudo mais.       Foi nessa época que o rapaz teve seu primeiro relacionamento amoroso. Relacionamento este que durou exatamente duas horas. Foi esse o tempo necessário para ele descobrir que a moça trabalhava no cabaré da cidade – evidentemente essa descoberta só deu-se depois que a moça começou a cobrá-lo pelos beijos que tinham trocado.   

            O rapaz ficou muito abalado. Tentou suicidar-se por duas vezes, mas devido aos meios utilizados não obteve êxito. Na primeira tentou enforcar-se amarrando um pedaço de corda podre numa arvore. A corda partiu-se tão quanto o galho da arvore. Na segunda vez, já visivelmente desesperado, jogou-se na frente de uma bicicleta em movimento. O fato em si só lhe gerou alguns pequenos arranhões, porem o proprietário do referido veiculo ficou tão indignado com a atitude esdrúxula do individuo que lhe deu uma bela surra com um cinturão de couro de jacaré, o que lhe rendeu uma duradoura passagem pelo hospital local. 

 A essa altura já achava ser a pessoa mais azarada do mundo. E talvez fosse mesmo. Graças a uma série de eventos bizarros que até hoje não foram devidamente esclarecidos, o jovem foi preso acusado de atropelar uma idosa que atravessava a rua, e só foi posto em liberdade após meses de investigações, quando descobriram que na verdade o jovem não sabia dirigir e que também não tinha carro.

Zé Doca passou muito tempo, muito tempo mesmo sem relacionar-se com outra mulher. Para ser mais exato, passaram-se três anos até aparecer uma outra mulher na vida do jovem que lhe fizera esquecer a traumatizante experiência antecedente. O nome dela era Izaura. Dona Izaura era uma viúva de cinqüenta e quatro anos e feições nada agradáveis. O namoro gerou muita polêmica na cidade. Diziam as más línguas que Dona Izaura utilizou-se de alguma espécie de macumba para fisgar o coração do jovem, então com dezesseis anos de idade. O namoro já contava seis meses e os dois pareciam estar muito felizes, até que de repente Dona Izaura sumiu da cidade sem deixar nenhum vestígio. O pobre traumatizou-se novamente e decidiu não se envolver mais com nenhuma mulher. Chegou a tentar a sorte com algumas cabritinhas que encontrava na beira da estrada, mas se irritava profundamente com os berros que elas davam.

O tempo foi passando. O garotinho feio e raquítico havia se tornado um homem forte, bem definido, de feições adequadas. As coisas pareciam estar na mais perfeita ordem na vida de Zé Doca. Não tinha muito dinheiro, mas tinha o suficiente para comer. Porém, há exatamente um mês atrás, Dona Rita foi pega de surpresa por uma doença muito grave. O médico constatou que ela deveria ir à capital para fazer uma cirurgia. Zé Doca ficou desesperado. Não sabia o que fazer. Não tinha dinheiro para bancar as despesas. Recorreu a todos os nobres de Aqui – Perto, mas todos lhe negaram apoio. A essa altura ele já sabia que a única pessoa que podia ajudá-lo era o Sr. Antunes. Após uma luta árdua contra os seus princípios - ele não gostava dos Bavarianos -, procurou o velho Antunes que, sem nenhuma burocracia, fez-lhe o empréstimo.

E assim seguiu a vida do jovem Zé Doca. Uma pessoa simples, comum, dono de uma história pífia e medíocre.

            Uma historia que jamais daria um livro...

 

Vivendo a vida.

Nunca fui muito fã de novela, isso é fato. A verdade é tanta que a ultima novela que me recordo ter assistido assiduamente foi O Rei do Gado. Aquela cena, por exemplo, do Antônio Fagundes comendo insetos no meio do mato nunca me saiu da cabeça, até porque depois de ter visto aquilo fiquei curioso em saber que gosto tinham aquelas coisinhas horríveis e comi uma minhoca. Uma experiência nada agradável. 

Por algumas vezes, tive a oportunidade de assistir trechos da novela Caminho das Indias, da qual tanto eu ouvia falar. O engraçado é que a India da Globo, não se parece nem um pouco com aquele Pais sul asiático que estudamos nas aulas de Historia e Geografia. De acordo com a novela, todos se conheciam, eram ricos ( inclusive os dalits) e viviam felizes.  Aff, pura fantasia.

 Com o fim desta novela, surgiu outra com uma temática bem mais interessante e atual. A novela “Viver a vida” de fato, trouxe à tona um problema que atinge a todos nós: Será que estamos realmente dando valor a nossa vida?

 É triste perceber que a maioria das pessoas só dá valor à vida quando a estão perdendo e que muitas, na hora de morrer, são tomadas por um sentimento de arrependimento por tudo o que deixaram de fazer ou dizer, sentindo uma grande frustração e a sensação de que desperdiçaram todo a sua existência.

 Pessoas ricas, economicamente falando, nem sempre são felizes com a vida que levam, uma prova de que o ditado “ dinheiro não é tudo” tem um fundo de verdade.  Não que eu seja contra o “dinheiro”, mas devo concordar com o que dizia sabiamente meu avô: “O dinheiro é coisa do diabo, mas quer ver o diabo mesmo? Fique sem dinheiro...”

 Acontece que o dinheiro não pode ( nem deve) ser o medidor de felicidade. Existem tantas pessoas ricas e nem por isso são felizes. Conheço pessoas sadias que vivem com medo de sofrer, enquanto que pessoas doentes cheios de vontade de viver.

Não se mede a felicidade pelo dinheiro, nem pela beleza, tampouco pela saúde. Penso que a felicidade é apenas amor, nada mais que isso. 

A felicidade acontece quando a sua vida se encaixa com o que você é, quando se encaixa tão harmoniosamente que qualquer coisa que você fizer será somente alegria. Viva a vida sem se preocupar com conceitos e opiniões. A sua vida não é movida pela moda. Você não é figurino de tendências. Viva a vida em sua plenitude, esteja bem consigo mesmo. Não se desespere pelo que os outros vão pensar, apenas viva!

 E não se esqueça: Ame, Pois o amor é fundamental.

Tenha sempre alguém querido por perto, pois  como dizia um poeta ( que fatalmente não me recordo o nome) : "É impossível ser feliz sozinho!"

 
Saudações,

Hoje, em vez de textos de desabafos, resolvi postar algo mais descontraído.

Em resposta ao Poema do “Homem Perfeito” que circula pela net e foi apresentado no Programa do Jô Soares, resolvi por criar o poema do que seria a mulher perfeita para nós homens. Não sou machista nem nada do tipo, por isso peço às mulheres que lêem este poema que não se estressem comigo, trata-se apenas de uma brincadeira. É necessário deixar bem claro que nunca fui da opinião de que “lugar de mulher é na cozinha” (talvez por isso nunca me dei bem com elas).

Abraços e beijos,

Pra quem não viu o “Homem Perfeito” apresentado no Programa do Jô Soares, segue o link  http://www.youtube.com/watch?v=w8nOuka_cJs

 A mulher Perfeita.

 Jairo Lecter.

 

A mulher perfeita não se estressa

Faz tudo de bom grado

Acorda cedo, tem pressa

E faz café pro namorado.

A mulher perfeita é simpática

Nunca perde a pose

Se as treze com o namorado marca

Já está pronta às doze.

A mulher perfeita é carinhosa

Não se estressa com seu amado

Tampouco fica furiosa

Quando ele chega em casa embriagado

A mulher perfeita é asseada

Pinta as unhas, se esbalda em perfume

Lava as roupas do namorado, as deixa gomada

Só pra não perder o costume.

A mulher perfeita é dengosa

Sabe falar, mas também sabe ouvir

Entende quando no meio de uma prosa

O namorado tem que partir.

A mulher perfeita é boa de cama,           

Bebe uísque, bebe Skol…

Deixa de ver qualquer programa

Para assistir o futebol.

A mulher perfeita é meiga

Ciumenta ela não é

Quando vê o amado, vira manteiga

E faz tudo o que ele quer.

 Pra terminar estas linhas que escrevi desajeitado

Concluo em um tom triste

Que diante de tudo que foi falado

Mulher perfeita não existe.         

 

Desabafo sobre o trênsito.

Um dia desses após as aulas da faculdade, eu e uma turma animada resolvemos sair em busca de um único objetivo: alivia o stress pós-aula. Os papos surgiam naturalmente, sempre acompanhado de uma dose ou outra de uma cerveja de marca qualquer. os assuntos eram diversos e todos estavam visivelmente animados (talvez mais pela cerveja do que pelo bate-papo em si).

De repente um desses indivíduos inebriados começou a falar sobre transito. Naquele mesmo instante todos aqueles semblantes até então animados deram lugar a uma coletividade de olhares intrigantes e feições penosas.

Lembrei-me do tempo em que o problema do transito era debatido e vivido apenas nos grandes centros urbanos, coisa que nós, habitantes das pequenas cidades só tínhamos conhecimento através da mídia.

Infelizmente não é mais assim.          

Conforme o tempo foi passando, o fluxo de veículos aumentava em proporções só não mais exorbitantes que a própria imprudência dos motoristas. Criou-se o código de transito brasileiro e o sistema de multas surgiu como uma medida de repreensão à imprudência no transito.

Particularmente acho algumas multas bastante ridículas. Por exemplo, porque multar um motociclista que não usa capacete? Ele só estará fazendo mal a ele mesmo, que estará desprotegido. Aliás, sempre fui contra o uso obrigatório do capacete, e não é apenas por eu ter a caixa craniana com dimensões um pouco maiores que o padrão humano (se é que me entendem). Porque multar também os motoristas que carregam nos seus automóveis extintores de incêndio vencidos? Aff, Paciência.

Em Floriano, os finais de semanas tem se tornado um caos. Transitar nos arredores da Uespi, CAFS e IFPI tornou-se uma atividade extremamente perigosa, principalmente para pedestres e ciclistas, que não possuem uma área exclusiva, coisa que foi prometida há bastante tempo. Mas não estou aqui para falar de política. Estou aqui para pedir mais atenção aos usuários destas vias tão mal feitas. Não acredito que seremos capazes de educar o nosso transito com multas, até porque quem não sabe o valor da sua própria vida, não deve se importar com o valor de uma simples multa. Mas fica aqui o pedido, aos que gostam de empinar pneu de moto, fazer estripulias em carro, etc, que, pelo menos quando forem morrer, por favor, certifiquem-se de que nenhum inocente vá com vocês.

Obrigado.

 
 
Saudações,

Agradeço a todos vocês leitores, que me apoiaram desde o inicio, a todos meus amigos e familiares, e a Jackeline Leal, pelo espaço cedido de tão boa fé.

Muita gente enviou recados à redação, outros até mesmo me parabenizaram pessoalmente e isso tudo me deixou muito feliz, e por conta disso, mais um capitulo de "Desventuras de Zé Doca" será postado.

O que será que ele aprontará dessa vez hein?

Descubra lendo às linhas abaixo...

Abraços a todos e Boa Leitura.

 

Capitulo 2

 Os dois capangas que - sempre armados é claro - acompanham-o, são seus homens de confiança. Sempre que o velho vai resolver alguma coisa eles estão presentes. São leais ao Sr. Antunes há quase vinte anos. A confiança é tanta que freqüentemente manda-os à capital com uma quantia impronunciável de dinheiro para depositar em uma de suas contas – é importante grifar aqui que ele não confia seu dinheiro nem mesmo a sua própria mãe que ele tanto estima.

 Sentado ao lado direito do Sr. Antunes encontra-se Petrônio, ao seu lado esquerdo, Potrinio.

 Petrônio e Potrinio são irmãos. Dizem serem gêmeos mas a verdade é que não se parecem nem um pouco. Petrônio é um pouco mais alto mais forte e mais bronzeado que seu irmão e afirma veemente ser mais bonito também. Possui uma cicatriz que vai das costas até a altura do pescoço que ganhou ainda criança ao cair de um tamarindeiro, arvore muito comum em Aqui - perto. Uma característica bastante peculiar do Petrônio é o fato de ele está sempre piscando o olho esquerdo como uma espécie de tic nervoso. O mais curioso é que tudo é perfeitamente sincronizado como os passos de um tango. O seu olho esquerdo costuma piscar numa razão de quatro para um em relação ao seu olho direito.

 Potrinio por sua vez, um pouco mais baixo e franzino que Petrônio, não possui nenhuma cicatriz no corpo e nem o tic nervoso do irmão. Seu único defeito – além é claro do seu ridículo bigode de Charles Chaplin - é ser gago. A gagueira de Potrinio não é daquelas comuns quase imperceptíveis, mas sim daquelas brabas mesmo que chega a irritar profundamente quem conversa com ele.       Quando está muito ansioso para dizer algo de muito importante ao Sr. Antunes, de tanto esforço que faz pra falar, geralmente quase sempre, borra as calças, o que obrigou o velho a tomar medidas drásticas: comprou fraldas para ele usar.

 Potrinio não nasceu gago, ficou gago. Isso aos vinte anos de idade numa noite de quarta – feira na fazenda dos Bavarianos quando ele se preparava para tomar seu banho semanal. O banheiro estava muito escuro. Acendeu então uma vela e a colocou vagarosamente no canto esquerdo da porta. Despiu-se e levantou o pé em direção à banheira e foi ai que de repente, num movimento brusco, uma rã inexplicavelmente emerge da água e num ataque impiedoso agarra-se ao pinto do pobre rapaz. Nenhum médico até hoje conseguiu explicar como esse fato resultou na gagueira de Potrinio. Desde esta data ele não pode sequer ver uma rã, um sapo, um girino ou qualquer outro da espécie que entra em pânico.

Petrônio e Potrinio são definitivamente diferentes. A única coisa que os fazem parecidos é o fato de se vestirem impecavelmente iguais. A mesma camisa, a mesma calça. A mesma cor de camisa, a mesma cor de calça. Os mesmos sapatos e meias, os mesmos chapeis e tudo o mais. Essa isonomia de vestimentas já proporcionou algumas situações bem cômicas como, por exemplo, o dia em que Potrinio levou uma surra de cabo de vassoura da namorada de seu irmão que o confundiu com seu amado. Por conta disso ele passou dois meses internado num hospital da capital com o corpo totalmente engessado.

Os irmãos pseudo-gêmeos chegaram ainda muito jovens em Aqui – Perto. Vieram carregados por seu pai. A mãe deles acabara de falecer e de tanta dor que seu pai sentia abandonou a cidade e tudo que tinha. Chegaram a mendigar nas ruas de Aqui – Perto até que certo dia o Sr. Antunes os tirou das ruas e abrigou-lhes na sua fazenda. Claudiomar, o pai dos meninos, trabalhou como caseiro na fazenda do velho por longos dez anos antes de falecer. O médico da fazenda disse ter sido vitima de ataque cardíaco.

Com a morte do velho, o Sr. Antunes se aproximou ainda mais dos meninos e desde então lhes tem como seus homens de confiança.

Os irmãos estimam muito o velho Antunes. Gostam de fazer trabalhos para ele, assim se sentem muito úteis. E naquele momento, sentado no banco da charrete ao lado do Sr. Antunes é esta a sensação que lhes dominam: a sensação de utilidade, de ser importante ao velho.

Dois quarteirões depois da Praça, Petrônio faz um sinal com a mão para o charreteiro que entende perfeitamente e faz o cavalo virar a direita. A charrete percorre agora uma rua estreita, cheia de casas antigas e muitas poças d’água no chão asqueroso. Algumas esquinas depois, Petrônio fez outro sinal e a charrete para. Os irmãos descem e, logo em seguida o Sr. Antunes.

- É aqui mesmo? – Resmunga Seu Antunes em um tom grosseiro, mas muito feliz por dentro.

- S- Si- Sim Se- Senhor! – Responde Potrinio com muito esforço.

 Seu Antunes analisa a casa minuciosamente. É uma casa muito humilde.   As paredes todas feitas de barro e o telhado de palha. O simples miado de um gato pode pôr-lhe abaixo a qualquer momento. Mas, para a sorte daquela pobre casa e das almas miseráveis que a habitam, não havia gatos por aquelas bandas. O velho ergue a mão e bate duas vezes na porta. Ninguém abre. Bate novamente. Novamente ninguém abre. Petrônio posiciona-se para derrubar a porta – acredite, ele não precisaria de muito esforço para isso – mas então ouviu-se um estalo, e a porta se abriu. Por trás da porta surgiu vagarosamente o semblante de um rapaz que parecia está dormindo. Seus cabelos estavam arrepiados, os olhos cheios de remelas, a camisa desabotoada e as calças meio tortas. Ergueu a cabeça e tomou um susto que arrepiou mais ainda os seus cabelos.

- Se- Seu Antunes? – Gaguejou ele, apesar de não ser gago.

- Vim receber o meu dinheiro, como combinamos. – Disse Seu Antunes com convicção.

- Seu di-dinheiro? - indagou o rapaz, com a mão direita entre os cabelos, bagunçando-os ainda mais.

- Ora Zé Doca, deixe de inrolação homi! – brandiu Seu Antunes com um ar meio feroz – Não se faça de desentendido.

- Ah! Sim. O dinheiro... – falou vagarosamente o rapaz.

 - Isso mesmo! Deixe de prosa e me entregue logo o dinheiro, não tenho tempo a perder com você. – disse Seu Antunes com um ar mais feroz ainda.

- Sabe o que é... - titubeou Zé Doca.

Seu Antunes fixou os olhos em Zé doca e mexeu levemente na gola da camisa. Seus capangas fizeram o mesmo.

 - È que... – falou, dando um pequeno passo para fora e abrindo um sorriso tímido.

 - É que... É que aconteceu um imprevisto sabe? – disse ele pondo a mão cautelosamente sobre o ombro do homem.

 - Imprevisto? – indagou o velho com um ar terrivelmente zangado, retirando a mão do jovem, que estava sobre seu ombro. – Ora, rapaz! Do que você está falando?

 - Sabe o que é Sô? - disse o rapaz, vagarosamente, como se estivesse procurando as palavras.

 Diga logo rapaz, sem rodeios.

 - É que... – disse, caminhando cabisbaixo ao redor do velho.

 Seu Antunes deixou escapar um grunhido demonstrando que não estava nem um pouco feliz com aquilo.

- É que eu tava com o dinheiro aqui certinho pra pagar vossa pessoa, sabe? – disse Zé Doca – Mas, ai aconteceu uma coisa terrível Seu Antunes, o senhor não vai nem acreditar.

O velho deixou escapar outro grunhido, desta vez mais estridente.

- Ontem eu fui ao banco tirar o dinheiro pra pagar o senhor, mas ai, quando eu estava voltando pra casa, - falou o jovem, com a mão esquerda tirando o suor da testa – apareceram dois assaltantes terrivelmente armados com metralhadoras, pistolas, granadas e facas; até um tanque de guerra eles tinham, parecia com aqueles que a gente vê na TV acredita sô?

- Daí com pouca levaram meu dinheiro. Eu não pude fazer nada Seu Antunes. Eles levaram foi tudo, até minha roupa sô. – continuou quase chorando.

 - Assaltante? – interrogou o velho.- Sim Sinhozinho! Eu por mim tinha reagido, mas disseram que era melhor deixar eles irem...

Seu Antunes então se virou e encarou Zé Doca que neste momento se encontrava atrás dele. Os capangas também se viraram e fizeram a mesma cara de furioso do seu chefe.

- Mas oxênti! Diga cá cabra. E desde quando tu tem conta em banco cabra?

- Eu fiz uma semana passada. Pra me prevenir sabe?

 - E sabe que eu nunca vi assaltante por aqui?

- Pois é! Eu também num acreditei não. Só depois que eles me mostraram as armas carregadas. Quase num entendi o que eles falava, parecia com aquelas gírias lá do Sul sinhôzinho. – Disse Zé Doca, caminhando novamente ao redor de Seu Antunes.

- E como era o rosto dos peão ? Diga ai que meus homi segue o rastro deles agora.

- O pior que nem deu pra ver, já era muito tarde, estava muito escuro.

- Oxênti cabra, mas o banco num abre a noite não. Tu ta querendo me enrolar? – pergunto Seu Antunes terrivelmente nervoso, pois ele não acreditava que alguém poderia ter coragem de tentar trapaceá-lo.

- Não Seu Antunes. Mas que pensamento o seu...

- Pois tu vai morrer é agora pra servir de lição cabra safado! – interrompeu Seu Antunes.

- Pelo amor de Deus Seu Antunes. Juro que é verdade.

 Os capangas seguraram o infortunado rapaz, um em cada braço, e o fizeram ajoelhar de frente ao velho. Seu Antunes então puxou um revolver que tinha escondido na cintura, certificou-se que tinha munição dentro e a apontou para o jovem.

- Já sei Seu Antunes, o senhor pode ficar com a casa. - disse com a voz trêmula.

- E um barraco desses lá vale nada.

- Tenha piedade de mim Seu Antunes. Não posso morrer. Minha vovozinha precisa de mim. – disse Zé Doca desesperado.

- Ninguém engana um Bavariano. Vai pagar com a vida pela graça que fez cabra safado.

   Seu Antunes posicionou o dedo sobre o gatilho e fechou o olho esquerdo. Zé Doca baixou a cabeça e começou a rezar sutilmente. Petrônio e Potrinio, ainda imobilizando o rapaz, fecharam os olhos.       

 Fez-se um silêncio.

 Zé Doca tornou a rezar. De repente, ouviu-se um barulho forte. De repente ouviu-se outro barulho forte, e mais outro e mais outro.

 Meu Deus! Será que Zé Doca foi mesmo morto? Seria esse o fim deste pobre infeliz?

Não!

 Os barulhos? Ah sim! Foram causados pelos passos de um cavalo que aproximava-se a toda velocidade da casa de Zé Doca. O animal parou bruscamente em frente a casa e um homem saltou das suas costas. Seu Antunes levou um susto. Os irmãos também. Zé doca, que ainda estava rezando, tomou um susto maior ainda ao perceber que ainda estava vivo.

 Era mais um dos capangas de Seu Antunes. Estava ofegante. Parecia muito cansado como se ao invés do cavalo ter-lhe levado até ali,ele tivesse levado o cavalo.

 O homem respirou um pouco, olhou para o velho, tirou o chapéu e fez uma reverência.

 - Perdoe-me interromper Senhor Antunes – disse

 O velho encarou o homem, ainda com a arma apontada para Zé Doca.

 - Ora essa! Que diachos você quer por aqui rapaz? Num te disse pra não sair da fazenda ein? – disse irritado.

 - Perdoe-me mais uma vez chefe, mas é que aconteceu uma coisa que o senhor precisa saber.

 - Pois diga logo que ainda tenho que matar este cabra aqui hoje – disse apontando com rosto para Zé Doca.

 - É que... Sua Filha acabou de chegar de viagem e.

 - Minha filha? – interrompeu - Mas como assim Sô? Sem Avisar? Valha-me nossa Senhora...

 Seu Antunes neste momento estava tão preocupado com a noticia da chegada da garota que sequer lembrava de sua pretensão em dar cabo a vida do infeliz Zé Doca.

 A filha do Sr. Antunes é uma jovem de vinte e um anos que mora na capital do Estado. Ela costuma passar férias em Aqui - Perto na fazenda da família, pois ela, assim como o pai, é muito apegada à natureza.

 - Ordene imediatamente aos criados que chamem o Seu Fagundes. Diga a eles também que cuidem dos cavalo, eles estão muito cambito e ela do jeito que conheço vai querer ver os bixo logo . – falou Seu Antunes em tom imperativo.

Maria Clara, apesar de ter sido criada nos grandes centros urbanos, adorava cavalos. Herdou este gosto do seu pai que sempre foi excelente montador. Nunca perdeu uma corrida sequer. A moça por sua vez preferia explorar a delicadeza e a sensibilidade dos mesmos praticando o hipismo. Treinar equitação lhe deixava satisfeita, além de preencher grande parte do seu monótono tempo, enquanto esperava pelo final das férias.

- Pois é Sô Antunes, mas ai que ta outro problema... – disse o capanga.

- Outro Problema? Qual?

 - É que o Seu Fagundes morreu. Foi agora a pouco.

 - Mas ta com o diacho Sô! Esse velho até pra morrer escolheu o dia errado. Só pode ser maldição da égua preta.

A égua preta era um animal da fazenda dos Bavarianos no qual acreditavam ser uma reencarnação do capeta, pois quem a via inevitavelmente teria azar pelo resto do dia.

- E agora quem vai dar aulas de hipismo a minha filha?

Evidentemente a pergunta do velho não esperava por uma resposta. Mas encontrou.

- Com licença Sinhô, eu tenho experiência com hipismo. Posso dar aulas a sua filha se o senhor me permitir. – disse Zé Doca meio tímido, mas sem perder tempo.

- Do que é que você ta falando moleque marrento? Não brinque com coisa séria que eu lhe estouro os miolos e jogo pras galinhas comerem e é logo. – disse, voltando a apontar a arma para o rapaz.

- Calma! Calma Seu Antunes! Juro pro senhor que tô falando a verdade – prosseguiu Zé Doca. - Já fui chamado pra dar aula até na capital, mas num fui. O Senhor sabe né? Sou muito apegado a minha terrinha...

- É verdade mesmo isso rapaz?

- A mais pura verdade. – disse o jovem com convicção.

Seu Antunes então ficou calado por alguns segundos. Passou a mão pela cabeça. Olhou pro chão e em seguida para o jovem.

- Então amanhã antes do galo cantar quero você na minha fazenda! Sem falta. Se você não for eu mando meus homens queimarem seu barraco com você e sua avó dentro entendeu cabra?

- Perfeitamente! – disse Zé Doca confiante, com um ar de felicidade inocultável no rosto.

    Seu Antunes então entrou na charrete. Os irmãos também. O outro capanga subiu no cavalo, e todos partiram.

     E Esta foi a primeira vez que a doce Maria Clara salvou a vida de Zé Doca.

 

Saudações caros leitores,

Peço desculpas ao tempo que passei sem postar, mas é que aconteceram ( e ainda acontecem) muitas coisas na minha vida que me afastaram por uns dias. Durante esse tempo estive conversando com muitas pessoas, que me orientaram no sentido de postar capítulos do livro que estou escrevendo. A idéia me pareceu boa. Para quem não sabe, estou escrevendo um romance cômico regionalista intitulado “Desventuras de Zé Doca”, e é com muita honra que lhes apresento o primeiro capitulo desta obra que escrevo com tanto carinho. Espero que gostem.

Boa Leitura

 
Capitulo 1

Em meados da década de oitenta, a algumas centenas de quilômetros de Teresina, capital do Estado do Piauí, existia uma cidade desconhecida até mesmo pelo mais preciso aparelho GPS existente. Uma cidade que jamais ousou aparecer em mapas. Na verdade só levou o titulo de cidade há menos de quarenta anos em razão de interesses meramente políticos. Foi batizada com o nome de Aqui - Perto pelo seu fundador e primeiro prefeito da cidade, o senhor José Apolônio Bavariano que morreu sem revelar o real motivo da escolha do nome da cidade. Há quem diga que foi por pura gozação mesmo e talvez tenham razão já que toda vez que o velho pronunciava o nome da cidade em seus discursos em praça pública ele era subitamente atacado por uma crise de risos, o que lhe obrigava a beber um copo com água e açúcar para prosseguir o discurso.

No geral Aqui - Perto é uma cidade tranqüila, pacata, de clima quente e úmido, de ar campestre e terras férteis. Uma cidade extremamente pequena, cujas estreitas dimensões poderiam ser facilmente escondidas pelas asas de uma andorinha a voar.

De costumes arcaicos, a cidade evolui a passos lentos. Aqui ainda é pratica reiterada as mulheres, ao casarem-se, dispuserem de seus dotes aos maridos. Outro fato curioso em Aqui-Perto diz respeito a algumas datas comemorativas que são celebradas em desacordo com o calendário nacional. Assim o carnaval, por exemplo, é comemorado no final do ano; as festas juninas acontecem no mês de agosto, o dia da independência do Brasil, dia 7 de setembro por aqui só se celebra em outubro, e assim por diante.

A cidade apresenta-se quase sempre muito tranqüila e serena, exceto por hoje. Hoje é Domingo, dia de fazer compras, “dia de feira” como eles dizem. A cidade está bastante agitada. As pessoas andam quase que aleatoriamente de um lado ao outro da Avenida central procurando os produtos de que necessitam.   Ao lado da avenida, na praça central, que é na verdade a única da cidade, os cidadãos Aquipertense conversam, caminham, sentam e lêem jornais. Entre essas pessoas que conversam, caminham, sentam e lêem jornais encontra-se o Excelentíssimo, Estupêndissimo, etc. ‘íssimos’, Sr. Arnaldo Antunes Bavariano.

O Sr. Antunes,como gosta de ser chamado, é um homem de estatura mediana e corpo volumoso porém rígido. O seu rosto de homem sofrido e seus poucos cabelos brancos que ainda resistiam ao tempo não escondem as suas mais de cinco décadas de vida. Mas de sofrido o Sr. Antunes só tem mesmo o rosto. Homem de boa família, nasceu em berço de ouro. Os primeiros doze anos de sua vida morou na capital do estado onde colou grau numa escola particular cujo proprietário era seu próprio pai,o Sr. José Apolônio Bavariano que nessa época, dentre outras coisas, vivia de fazer empréstimos a juros altíssimos.             Financiava a campanha de muitos políticos da região. Chegava a emprestar dinheiro até pro próprio Governador do Estado.

Os Bavarianos tinham muito apego pelo campo e costumavam passar os finais de semana numa de suas fazendas que ficavam às margens de Teresina. O jovem Antunes adorava brincar na areia da beira do rio enquanto seu pai tentava, quase sempre frustradamente, fisgar algum peixe. Adorava jogar bola com os filhos dos criados da fazenda que eram obrigados a passar a bola pra ele e deixa-lo fazer todos os gols. Adorava também quando sua mãe o balançava na rede enquanto lhe contava uma boa história sobre os Bavarianos ascendentes. O sr. José Apolônio também adorava o campo. Adorava-o na mesma medida em que odiava a cidade. Ele sempre achou que a cidade grande não era lugar para ele. E de fato não era mesmo. Seu Apolônio achava tudo na cidade muito complicado.      As invenções que facilitam a vida na cidade grande como elevador, telefone e sinal de trânsito sempre lhe deixavam intrigado. Certa vez, ao tentar entrar em uma loja de conveniências ele ficou durante cerca de trinta minutos preso na porta giratória até que um dos funcionários da loja, depois de quase fazer xixi nas calças de tanto rir resolveu ajudá-lo. E assim seguia a vida dos Bavarianos, da cidade pro campo, do campo pra cidade, até que certo dia o Sr. Apolônio recebeu como pagamento de um empréstimo que tinha feito a um político da capital, incontáveis hectares de terra. Estas terras ficavam há pouco mais de trezentos quilômetros de Teresina. A Primeira vez que ele viu aquelas terras se apaixonou. Se encantou com o clima, com os campos verdes, com o rio, com a diversidade de pássaros e tudo mais e viu ali uma possibilidade concreta de tornar-se ainda mais rico e, conseqüentemente, mais feliz. E como a ambição está no sangue dos Bavarianos não deu outra. Seu Apolônio pegou sua família, seus criados, seus capangas e seus bens, abandonou a mansão da capital e mudou-se para estas terras.

Ao chegar, resolveu-se por fazer um loteamento de dez mil terrenos com uma parte de suas terras e os cedeu gratuitamente a quem chegasse primeiro. Mas o que parecia ser uma boa ação do Sr. Antunes era na verdade um ato de interesse friamente calculado. Passado cincos anos todos os lotes estavam habitados e o Sr. Apolônio com a ajuda de alguns políticos influentes elegeu-se o primeiro prefeito da agora cidade de Aqui-perto. Permaneceu prefeito por mais dos mandatos antes de passar o titulo para seu irmão, o Sr. Eleosmar Bavariano.Em toda a historia de Aqui-perto só houve um prefeito que não era da família dos Bavarianos e este fugiu da cidade ainda na primeira semana do seu mandato depois de ter sido pego em flagrante no seu gabinete totalmente nu posicionado estrategicamente embaixo de um jumento, que parecia estar muito excitado. Nunca mais ninguém teve noticias dele. Os Bavarianos em geral tinham o dom da política. Apresentavam uma qualidade indispensável para a área: sabiam mentir muito bem.O Sr. Antunes é o único Bavariano que não se envolveu na política. Não tinha jeito pra coisa. Era um homem muito rude, ignorante, preconceituoso, não conseguiria conquistar a simpatia dos eleitores. Preferiu o ramo da agiotagem mesmo e nisso ele sempre foi muito bom.

Quase metade de todos os pais de família aquipertenses já recorreram ao Sr. Antunes em algum momento de desespero. Ninguém nunca ousou deixar de pagá-lo. Ninguém sequer ousou atrasar uma prestação. Todos o temem, e com razão. Contam que certa vez o velho ordenou aos seus capangas que amarrassem um senhor de idade no tronco de uma arvore e o jogassem no leito do rio só porque tinha sonhado que o pobre senhor iria fugir da cidade para não ter que pagar-lhe a divida. O pobre velho foi encontrado morto três dias depois dentro da barriga de uma baleia que tinha encalhado na praia de Copacabana no Rio de Janeiro.

Hoje, nesta estravagante manhã de domingo, Seu Antunes parece muito inquieto. Anda de um lado ao outro da movimentada praça da cidade sempre olhando para seu relógio de ouro perfeitamente arranjado no seu pulso esquerdo.             Não para de movimentar-se de um lado ao outro forçando cada vez mais a sua bengala de madeira com acabamento de couro de onça, como se fosse quebrá-la. Seu Antunes tira o chapéu – e isso acredite é muito raro -, coça a cabeça, apruma o bigode,senta no banco, bate com o pé por três vezes seguidas no chão e olha novamente para o relógio. Os ponteiros marcam exatas dez horas.

- Finalmente – exclamou ele, com o mesmo ar de felicidade de uma criança quando recebe um pirulito como prêmio por ter feito o dever de casa.

Aquele júbilo que se instalara no velho instantaneamente, devia-se ao fato de ter chegado o momento oportuno de exigir o cumprimento de uma quantia que lhe era devida. Se tem uma coisa nesse mundo que ele gosta mesmo de fazer é cobrar uma debito. Nestes dias ele sempre acorda mais cedo, toma um longo banho, entra em jejum, acende uma vela para Santo Expedito, chama dois de seus capangas e exatamente na hora combinada vai atrás do devedor sempre na certeza de que irá receber seu pagamento, seja o que for, e o mais importante, seja como for.

O relógio acusa dez horas. O velho se prepara, dobra as mangas do seu terno, ajusta levemente o cinturão apertando um pouco a fivela de ouro que reluzia contra o sol, e segue em direção a charrete estacionada na lateral da praça. Seus capangas o acompanham sentando um a sua esquerda e o outro ao seu lado direito. Um deles estende a mão dando sinal ao charreteiro, e seguem viagem...

 

O valor comunicacional de sua roupa

 

Se eu lhe perguntar como podemos nos comunicar, provavelmente, você me responderá:
- Falando.

Isso acontece porque a maioria das pessoas tem como imagem inicial da comunicação a fala. Seguindo essa lógica, uma criança de 01 ano que ainda não consegue emitir sons numa sequência lógica não se comunica. Ou alguém que fala outra língua e não é entendido... também!

Todavia, se você parar por algum tempo e pensar bem perceberá que existem inúmeras outras maneiras de exercer tal ação sem utilizar a voz. Você pode escrever, desenhar, pintar, gesticular, tocar um instrumento. Enfim, existem várias formas de você se comunicar sem ser falando.

Prestando atenção na forma como as pessoas se vestem, percebemos que a moda é uma delas. Através da sua roupa você pode expressar sentimentos, pensamentos, ideologias, opiniões. Não concorda comigo?

Perceba o que você está vestindo agora. Mesmo que você não saiba a origem do modelo, do tecido e do país de sua roupa, mesmo que ela não seja de uma famosa marca, ela está comunicando alguma coisa.

           Imagine você ir em um escritório de um advogado, um ambiente muito requintado, e ao chegar lá encontrá-lo de bermuda e uma camiseta regata. Claro que você não se questionará sobre o valor profissional dele devido a essa atitude. Ou irá? A postura de um profissional muitas vezes é questionada pela roupa que ele veste porque a maneira que ele está comunica. Comunica que ele não teve tempo de vestir uma roupa melhor, comunica que ele não se preocupa com sua opinião a cerca do que ele veste, comunica que ele pode não ter dinheiro para comprar uma roupa melhor. Não fala, mas comunica.


Até ai tudo bem. Nada de mais.

O problema está na ingrata mania daquelas pessoas que observam e avaliam as diferenças e semelhanças demonstradas por suas vestimentas. Mesmo que você não goste de moda... a sua roupa influencia o modo como você é visto no mundo. Chega a ser chocante, mas é a realidade.

Uma simples caminhada pelo Cais do Porto daqui de nossa cidade pode tornar-se um passeio frustrante caso você não tenha se preparado adequadamente aos olhos alheios.

É triste.

O que dizer daquele pessoal que fica ali sentado, tomando a cerveja mais cara da cidade, mesmo que não lhe possam consumir mais que duas, observando como se fossem Deus, a todos que passam?

Como se isso fosse elegância...

Elegante, a meu ver, é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece,
é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete
e, ao receber uma ligação, não recomenda à empregada que pergunte
antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.

No mais, prefiro seguir o pensamento de Nelson Rodrigues, que costumava dizer “Só o rosto é indecente. Do pescoço para baixo, podia-se andar nu.”

 

Desabafo de um dia improvável

 

Tudo começou com um telefonema.

Eu, logo após um breve momento de introspecção ( que durou exatamente três chamadas perdidas no celular) optei por atender.

Fiz mal.

Graças a esta ligação e uma serie de eventos bizarros que se desencadearam, fui parar, cerca de cinco horas e meia depois, em uma cidade centena e meia de quilômetros daqui da nossa princesinha do sul: Canto do buriti.

Inocente que sou, cheguei a pensar que, uma vez que eu estivesse lá, não demoraria nem dez minutos para que eu pudesse resolver minha (entediante) missão e pronto, já estaria de volta.

Não foi bem assim...

Qual não foi minha surpresa ao descobrir que na verdade o próximo ônibus só passaria por ali cinco horas mais tarde?...

A situação era péssima, ate porque eu tinha vários compromissos em Floriano, que, por culpa do nosso sistema rodoviário (isso mesmo), não poderia mais cumprir. Resolvi então ao menos tirar proveito daquela situação e curtir um pouco à cidade (que estava coincidentemente em festejo) com meu pai que estava lá, o qual era sem duvidas, um dos grandes responsáveis por eu também estar lá.

O fato é que na hora marcada retornei a rodoviária com receio de que o ônibus já tivesse passado.

Não havia passado ainda.

Assim como não passou nos dez minutos seguintes, nem nos vinte, nem nos trinta...

Foram exatamente uma hora e doze minutos de atraso, pasmem.

Fiquei completamente enfurecido, mas não havia muito o que eu fazer, ou com quem reclamar. Na verdade, o motorista foi quem reclamou comigo quando fui pedir-lhe gentilmente que colocasse minhas malas no bagageiro, acreditam?

Esse desabafo não é uma critica sobre este motorista em especifico, nem sobre aquela cidade, ou aquela empresa. É sobre todo, absolutamente todo o sistema rodoviário nacional.

Nos consumidores, estamos à mercê da impunidade e da falta de compromisso das empresas para com seus passageiros. Somos tratados na maioria das vezes como lixos (embora eu já tenha visto alguns lixos serem melhores tratados) e uma simples viagem nos tempos de hoje podem se tornar uma incrível dor de cabeça que perdura por dias.

Desculpem se acordei meio radical, mas na verdade só escrevi este texto para deixar um conselho para vocês: Na duvida, não atenda o telefone!

 

AINDA EXISTE INFÂNCIA?

O mundo moderno exige de nos raciocínio ágil e habilidade para resolução de problemas no menor tempo hábil possível (ou mesmo impossível). Temos que estar atentos a tudo que nos rodeia, o que nem sempre é possível. As repetições metódicas de nossos atos tornam-nos cada vez mais "robóticos"; automáticos.

As rotinas estressam; cansam; alienam.

Quem nunca passou por algum lugar, por mais belo ou feio que fosse (o lugar), sem notá-lo?

Eu já.

Muitas vezes.

Por conta disso resolvi tirar uma noite daquelas rotineiras e fazer diferente: analisar tudo durante a trajetória.

O caminho escolhido (se é que posso dizer assim) foi um no qual já estou bastante familiarizado: o percurso de casa ate à faculdade.

Tudo completamente normal: pessoas, casas, ruas, calçadas, praças, e até mesmo alguns prédios. Até ai tudo bem não é mesmo?

Não!

Faltava algo.

O quê?

Crianças!

Achei absolutamente incrível, infelizmente verdade. Durante todo o percurso que me gastou meia hora e alguns quilômetros não vi (e olha que observei bem) nenhuma criança. Nem nas ruas, nem nas calçadas das casas, tampouco a vi nas praças. Meu deus! Nem nas praças?

Mas afinal, onde estão as crianças?

Não sei.

Aliás, até sei: devem estar por ai sentadas em frente a algum computador.

E não precisa ter computador em casa não. Basta ir na esquina, que você já consegue acessar  uma maquina.Não precisa ser nenhum exímio observador para notar que nossa cidade esta tomada por Lan Houses. Se fosse fazer uma estimativa, diria que aqui tem duas lan houses por quilometro quadrado, e não seria exagero algum. Por conta disso, e dos preços cada vez mais baratos as nossas crianças tem sido atraídas de forma impetuosa para o interior destas casas “destruidoras de infância”.

Sim, destruidoras de infância.

Computador é coisa de gente grande, afirmo.

Lugar de criança é em casa ou não rua, ou na praça, se divertindo saudavelmente.

Lembro-me com saudade da minha infância.

Aqueles programas incríveis, como Chaves, Chapolim, Jaspion e até mesmo Castelo Ra-tim-bum, lembram?. Aqueles desenhos perfeitos, a ansiedade que me tomava para saber de que modo os Cavaleiros do Zodiaco iriam vencer as forças do mal. Aqueles jogos nos campinhos de futebol, brincar com peão, peteca e até mesmo agredir (moralmente e fisicamente) os amigos e vizinhos. Correr, cair, se machucar. Viver a adrenalina. Sim. Isso é infância.

Nada de passar horas sentado em frente a um PC jogando, ou acessando a internet.

Por que bater papo com meus amigos de escola no MSN ou nas salas de bate papo, se posso fazer isso pessoalmente? Não faz sentido.

Cadê as crianças que antes chegavam em casa sujas de barro, feridas, ou até mesmo com algum membro quebrado?

Parece que não existem mais.

Observando as crianças de hoje em dia, vejo que fui um privilegiado. Até mesmo o medo que eu sentia do Bumba-meu-boi era uma coisa boa.

O sedentarismo hoje lhes toma de conta. Não é por acaso que a taxa de obesidade só tem aumentado.

Vejo crianças que sequer sabem ler, mas conseguem digitar perfeitamente nos teclados dos computadores, e algumas até mesmo já se familiarizaram com algumas expressões de língua inglesa usadas em alguns jogos online (por sinal todos basicamente iguais).

Os pais, ao comprarem um computador para o filho para que este possa fazer seus trabalhos escolares, obviamente não sabem que naquele momento estão de certa forma contribuindo para o aumento dos casos de pedofilia no nosso país.

Podemos culpar as crianças?Não! Nos que fomos uns privilegiados.

Tivemos a ultima infância feliz.

Desculpem-me o desabafo, mas é que hoje acordei um cidadão completamente inconformado com o atual desenvolvimento da nossa sociedade.

Observe como se comportam estas crianças de 11 anos ou menos inclusive. Sinceramente, não consigo achar normal. Talvez eu esteja ficando velho mesmo, não é? Que seja. Mas ainda prefiro o tempo em que crianças acreditavam que os bebês vinham das cegonhas...

 

O CONSUMISMO E A COMPULSIVIDADE FEMININA

A Revolução Industrial, ocorrida na Inglaterra em meados do século XVIII, transformou de forma sistemática a capacidade humana de modificar a natureza. O aumento excessivo da produção e, da mesma forma, da produtividade, barateou os produtos e os processos de produção, ocasionando a milhares de pessoas a oportunidade de comprar objetos antes restritos às classes mais nobres. Não podemos negar que a sociedade capitalista da atualidade – da qual obviamente eu faço parte - é marcada por uma necessidade intensa de consumo, seja por meio dos mercados internos ou externos, já que o binômio consumo/produção sustenta uma relação de dependência entre si. A indústria trouxe o desenvolvimento e a panorâmica da economia liberal. O modelo de consumismo exacerbado parecia ganhar cada vez mais força. As relações internacionais, fortalecidas sobretudo pelas convenções e tratados firmados após as duas grandes guerras, expandiram-se numa velocidade sem precedentes, e o consumismo se instalara de uma vez por todas.  Já não bastava às pessoas ter apenas o necessário para sua subsistência. Ninguém queria apenas sobreviver.

A realidade é tanta que, queira ou não aceitar, hoje em dia compramos cada vez mais, embora usemos cada vez menos.

 Coisas supérfluas enchem os olhos de crianças e adultos.  Uma simples ida a um supermercado ou a um shopping Center pode se transformar numa atividade cansativa e desgastante, e diante deste novo contexto social os cartões de créditos caíram como uma luva aos que não tinham condições de arcar com tudo.

Agora tudo está sob controle. Se sua filha quer a boneca mais cara da Barbie é simples, você compra. Se seu filho insiste em ter o carrinho que ele viu no desenho animado, ou aquela espada ninja que coincidentemente ele também viu em um desenho, você compra. Pronto! Esta tudo resolvido. Pra que deixar o garoto ou a garota chorar o dia, a noite, ou quem sabe até mesmo a semana inteira, se você pode poupar-se disso apenas desembolsando algumas daquelas cédulas com números impressos emitidas pela Casa da Moeda?

As crianças são realmente incríveis. As garotas, por exemplo, abandonaram as brincadeiras inocentes de infância, as bonequinhas, as casinhas de barros feitas no quintal da casa, e passaram a freqüentar o salão de beleza cada vez mais cedo. É tão verdade isto que suspeito eu que algumas garotas ao nascerem choram para expressar o quanto estão zangadas por sua mãe não lhe ter maquiado antes do parto.

Não estou dizendo aqui que concordo com o que dizem os falsos moralistas, pois o que vale não é a beleza interior. Isso é pura hipocrisia. Mas todos devemos concordar que tomar um banho, escovar os dentes e até mesmo se maquiar apenas para atender a porta quando alguém bate a campainha na sua casa é uma situação no mínimo exagerada não é verdade? Talvez essas pessoas pensem que do outro lado da porta surgirá imponente a figura de algum príncipe encantado, igual nos filmes, quando na verdade era apenas um sujeito mendigando um pouco de água.

A frustração é gigantesca. E lá se vai toda aquela maquiagem, junto com a água que escorreu pelo ralo por ocasião do banho. Aquela mesma água que mais tarde aquele mesmo mendigo se viu obrigado a beber em face da recusa da moça em saciar-lhe a sede.

            O que dizer também daquelas garotas que usam roupas das grifes mais caras, sapatos de luxo, colares e apetrechos banhados a ouro, além de um belo perfume francês? O que dizer delas, se no final da noite todo aquele luxo que ostentam com orgulho vai parar no chão imundo de algum motel barato nas extremidades da cidade? Essas mesmas mulheres são aquelas que histericamente clamam por algum cantor “bonitinho” nos shows, quase que implorando para, ao final da apresentação, serem levadas ao camarim, e ali, só deus sabe o que acontece... 

E agora pra onde foi o luxo? O sapato de mil dólares?  Aquela blusa Calvin Klein?

Não sei. Elas não sabem. Ninguém sabe.

Como gastar os tubos em um batom quando milhares de crianças passam fome na África? E o referido cosmético, será que não realizaram testes em animais para desenvolver a fórmula?

 E a poupança, como fica? E os planos de casa própria, carro zero? E as necessidades básicas e imediatas?

A verdade, nua e crua, é que as compras alegram as mulheres. Poucas coisas as fazem se sentirem mais poderosas do que carregar uma sacola novinha por aqueles corredores bonitos.

Por isso, amigo que sou, alerto-as para que fiquem atentas ao que diz um sábio ditado árabe: “Quem compra o que não precisa, acabará vendendo o que precisa”...

 

 
 
 
                                     Copyright © 2007, florianonet.com.br - Todos os direitos reservados.