Sempre fui contrario aos benefícios concedidos pelo
Governo Federal para ajudar a população mais carente
do nosso País, isso porque sou da corrente que
acredita que benefícios como o bolsa-familia e
auxilio-gás apenas incentivam a vadiagem ao passo em
que desestimulam as pessoas a procurarem emprego para
obterem sua renda de forma digna e saudável.
Descontente com as dezenas de auxílios já criados nos
últimos anos, eis que o nosso querido e
“internacionalizável” presidente surpreende mais uma
vez com sua criatividade inabalável promulgando a
criação do Auxilio-Reclusão.
Isso mesmo.
Auxilio-Reclusão.
Todo presidiário com filhos tem direito a uma bolsa
que, a partir de 1º/1/2010 é de R$798,30 por filho
para sustentar a família, já que o coitadinho não pode
trabalhar para sustentar os filhos por estar preso.
Mais que um salário mínimo que muita gente por aí rala
pra conseguir e manter uma família inteira.
Ou seja, Bandido com filhos , além de comandar o crime
de dentro das prisões, comer e beber nas costas de
quem trabalha e/ou paga impostos, ainda tem direito a
receber auxílio reclusão da Previdência Social.
Grana boa. Da até pra pagar o consorcio de um carro,
ou aluguel de uma boa casa, entre outras coisas.
Mesmo que seja um auxílio temporário, prisão não é
colônia de férias.
Isto é apenas mais um incentivo a criminalidade no
nosso País, formado por corruptos e ladrões.
.
Não acredita?
Confira no site da Previdência Social.
Portaria nº 48, de 12/2/2009, do INSS
http://www.previdenciaocial.gov.br/conteudoDinamico.php?id=22
Ah, e não que eu esteja incentivando a criminalidade
mas, amigo que sou, deixo um alerta a vocês, meus
caros leitores: Se estiverem pensando em cometer algum
crime não esqueçam: Fazer um filho antes pode ser um
bom negócio...
Direitos de imagens?
Assim como no ramo automobilistico, as
transformações no âmbito jurídico alcançam uma
velocidade tal a ponto de hodiernamente não mais se
ter um conceito – ou um carro – considerado imutável
ante a sua estabilidade vitoriosa durante determinado
lapso temporal, como dizia Tacilene Dia Gouveia de
Sales.
Assim encaro o ocorrido com os direitos da
personalidade, mais especificamente o direito à
imagem, face à enorme repercussão que o mesmo ressoa,
justamente por sua fácil notoriedade. O fato é que o
que antes se entendia por indisponibilidade deste
direito está se tornando um verdadeiro “oferecimento”
daquilo que deveria ser alvo de salvaguarda e
preservação. E tudo acontece de forma quase que
imperceptível aos nossos olhos; de repente nos
acostumamos com as novidades e nem sequer damos conta
de quantos valores perdem a sua estima quando o que se
mira é a esfera patrimonial.
Alguns chegam mesmo a fazer dos seus “direitos
disponíveis” um verdadeiro mercado, passível de oferta
e demanda, tabela de preços, promoções em determinada
época do ano, e assim por diante.
Discorrendo superficialmente até parece difícil
vislumbrarmos tal possibilidade. Infelizmente não é o
que observo. Basta folhear uma revista, ligar a TV ou
pôr um anúncio num jornal à procura de órgãos em
perfeitas condições de serem transplantados. Na
revista iremos encontrar inúmeros “flagrantes” de
artistas famosos nas horas que para eles deveriam ser
de lazer, mas que acabam se tornando uma verdadeira
diversão para aqueles que sentem prazer em tomar
conhecimento da vida alheia e um meio de sobrevivência
para outros tantos que chamam a isso “profissão”. Na
TV vamos nos deparar com programas nos quais pessoas
minuciosamente selecionadas simplesmente cedem a sua
imagem num jogo em busca de dinheiro fácil.
E enfim, o que era para ser um exemplo de
solidariedade ou contribuição científica tomou
contornos diferentes, podendo-se falar num vergonhoso
comércio de órgãos.
Coisas como estas nos revoltam e nos
deixam descrentes. E o “país do sol”, conhecido também
como “país do futuro” embora evolua tecnologicamente,
apenas retroage socialmente.
Descaso. Fome. Insegurança. Injúrias.
Ainda bem que os terremotos ainda não
chegaram...
Jairo Lecter.
50
strippers e meio quilo de pó.
Uma piada de mau gosto em relação aos Jogos Olímpicos
de 2016 no Rio de Janeiro marcou a entrevista do ator
americano Robin Williams a David Letterman, na TV
norte-americana .
Convidado do 'Late Show', Williams disse que Chicago
entrou em 'desigualdade de condições' em relação ao
Rio de Janeiro na escolha da sede, promovida pelo
Comitê Olímpico Internacional (COI) no dia 2 de
outubro , em Copenhague , na Dinamarca.
- Chicago mandou Oprah (Winfrey, apresentadora de TV)
e Michelle (Obama, primeira-dama). O Brasil mandou 50
strippers e meio quilo de pó.
OK,
tudo bem, devo reconhecer que o País é reconhecido
internacionalmente pelo seu carnaval, com aquelas
mulheres semi-nuas e de corpo incrivelmente sarados,
assim como reconheço que o Trafico de entorpecentes é
um grande problema enfrentado por nosso País, mas,
convenhamos, Se algum de vocês tivesse um irmão com
problemas, tipo síndrome de DAWN, gostaria de ouvir
chamarem-no de mongolóide? É claro que não!
O tal Robin foi no mínimo, mal educado, inconveniente
e mal intencionado. Mas tudo bem, foi apenas uma
piada sem graça feita por um ator decadente.
Mas, o mais engraçado nisso tudo é que o Governo
aproveita estes momentos para fazer o Brasil de vitima
e contra-atacar em um clamor social de alta escala.
Aliás, só o Brasil faz isso. Só nosso País é que se
preocupa tanto com a imagem a ser passada para o
exterior. Quem nunca ouviu, por exemplo, que a Suécia
é o país do swing (troca-troca); Quem não zoa com a
Holanda só ter maconheiro? Que o Paraguai só tem
falsificados e contrabandistas?
Enfim, cada País tem seus defeitos, que são motivos de
chacota internacional, mas o Brasil é o único que fica
se preocupando excessivamente com a imagem.
O desenho americano “Os Simpsons”, por
exemplo, exibiu episódios zombando da cultura e dos
povos do mundo inteiro, mas só o Brasil sentiu-se
ofendido e repudiou em nota oficial a série
televisiva.
Ora, deixemos disso.
Se queremos acabar com a imagem de sermos o
“país das putas”, devemos fazer por onde.
Essa hipocrisia é que não dá... a gente faz, mas os
outros não podem falar...
É azar demais...
Sabe aqueles momentos da nossa vida em que tudo,
absolutamente tudo dá errado?
Pois é, parece que estou passado por um desses
momentos ( novamente).
Ando tão azarado ultimamente que aqueles velhos
corolários da famosa Lei de Murphy aplicam-se
fielmente ao meu cotidiano.
Quase todo objeto que tenho tocado ultimamente têm-se
quebrado de uma forma não convencional. Como exemplo,
posso citar um certo prato de vidro bastante
resistente que, logo após eu tirar-lhe do porta-prato
e colocar-lhe sobre uma mesa, quebrou, assim, sem mais
nem menos. Até mesmo um felino que apareceu estes dias
aqui em casa sofreu um grave atropelamento minutos
após eu passar-lhe levemente a mão na cabeça. Teve
também um grande amigo meu que há muito eu não via.
Abraçamo-nos, conversamos um pouco e cada um seguiu
sua vida. Fiquei sabendo que naquele mesmo dia, um
pouco mais tarde, ele havia perdido o emprego. Alguém
usou seu computador pra enviar fotos por e-mail de
padres transando com garotinhas holandesas.
Evidentemente senti-me muito culpado. Aliás, ando me
culpando de tudo. Atribui-me culpa até mesmo pela
queda de rendimento do meu time de coração. Pode ser
pura superstição, mas desde que passei a assistir os
jogos em um telão de um certo bar bebendo um certo
refrigerante meu time ( que estava em balado em uma
sequência de vitorias) nunca mais venceu . talvez seja
culpa do bar, ou daquele enorme telão, ou ainda
daquele maldito refrigerante.
Independente de quem seja a culpa o certo é que
naquele mesmo dia, voltando pra casa, “trupiquei” na
ponta de uma pedra, dei três cambalhotas e rolei
algumas vezes no chão até cair de cara no esgoto.
Confesso que nada disso doeu tanto quanto a distensão
no tornozelo esquerdo, quando minutos depois,
“trupiquei” novamente, em uma outra esquina, em uma
outra pedra.
Pra completar fui no hospital e, além de não ter
nenhum médico de plantão ( o que é perfeitamente
normal aqui) também não tinha nenhuma enfermeira (
Pode?).
Muitas outras coisas aconteceram, porém prefiro
encerrar este texto antes que meu computador pare de
funcionar (aliás algumas teclas do teclado já parou de
funcionar, fazendo com que eu tenha que recorrer ao
teclado digital do Windows).
A todos vocês um forte abraço. Vou-me deitar.
Descansar um pouco. Despeço-me rezando para que o meu
ventilador ao menos ainda funcione...
Jairo Lecter.
Os homens amam?
Por Jairo Lecter e Karitta Leal.
Qualquer pessoa que tenha passado os
últimos oito ou dez anos em uma prisão ou em um leito
de um hospital qualquer com certeza chocou-se ao
deparar-se com a “nova realidade mundial”. E não
estou falando aqui apenas das novas aparelhagens
tecnológicas e todas essas baboseiras. Não! Refiro-me
as pessoas em si, na sua essência propriamente dita e
os costumes incorporados ao novo modelo social (embora
não seja tão novo assim). Hoje em dia o negocio é
estar na moda, independente de quanto isso possa
custar ( economicamente e até mesmo moralmente). E se
é pra seguir a moda, vamos segui-la à risca e a moda
agora é... andar pelado. Isso mesmo.
Talvez eu até esteja sendo meio
exagerado, mas basta irmos a uma festa ou qualquer
lugar com grande concentração de pessoas em finais de
semanas pra percebermos mulheres com roupas cada vez
mais curtas e decotes cada vez mais ousados, quase que
como uma resposta às camisas cada vez mais apertadas
nos braços malhados dos homens. Esse jogo de
sensualidade e auto-afirmação talvez seja o grande
responsável pela banalização dos relacionamentos
atuais. Os caminhos do nosso próprio coração as vezes
parecem tão estranhos que nem com o auxilio de algum
GPS é possível encontrar a estrada certa, e certamente
o “trem do amor” a essa altura, já saiu dos trilhos.
Exageros a parte, tornou-se mais fácil
acreditar nas promessas dos políticos de nosso País,
do que as mulheres acreditarem na fidelidade dos
homens. A maioria pensa, com alguma razão, que nós
queremos apenas sexo, enquanto outras, após varias
tentativas de relacionamentos sérios frustradas,
preferem convencer-se que os homens são todos iguais.
Há ainda um grupo minoritário de mulheres, mas em uma
crescente considerável, que frustram-se tanto com
homens que jogam pra escanteio o papo de “os sexos
opostos se atraem” e tentam um relacionamento homo
afetivo (Nada contra, afinal, mulher é um “bicho”
muito bom mesmo).
Seria tudo isso injusto para com nós,
homens?
Afinal, os homens amam?
Amam sim! Ou melhor, amamos sim.
Amamos aquelas bundas empinadas e
aquele gingado baiano
( até parece que toda mulher tem que saber rebolar).
Amamos aqueles cabelos lindos e lisos e
se não for pedir demais, Louros.
Aquelas pernas delicadas,(e de
preferência sem pêlos)
Amamos aquelas unhas lindas e com
aquele esmalte que nunca saberemos qual a cor.
Aqueles seios Duros e empinados( o que
certamente só ocorre com os de silicone)
Amamos até aquelas crises femininas (ou
seriam feministas?), e assuntos intermináveis, porque
só assim arranjamos tempo pra pensar sobre aquele gol
perdido do jogo de ontem.
Amamos tudo isso, e muito mais.
O que ocorre é que, em meio a toda
essa desconfiança das mulheres para com os homens,
ficou difícil para nós, demonstrar esse tipo de
sentimento.
As mulheres ainda nos vêem como um
caçador, com aquela lança enorme em mãos (e a tanga
estilo Tarzam) saindo para caçar e deixando-as
sozinhas, cuidando das crianças e da comida enquanto
pensam que podemos estar naquele momento com outra
mulher qualquer ( Sim, qualquer...). E sabemos que
vocês mulheres pensam desse jeito. Melhor, sabemos que
temem a nossa liberdade, ainda que mínima,
simplesmente por acharem que vamos trair por INSTINTO.
Natureza humana, instinto, não se foge.
Mesmo resignado, tenho que concordar que nós homens
traímos não pela vontade (coitadinhos)
mas sim pela natureza que os ensinou a “sempre estar
caçando fora de casa e com a certeza que tem que
voltar”(as vezes) .Mas existe grande diferença entre
instinto e amor e (alivio as leitoras aflitas por
alguma luz no túnel), nós homens mesmo traindo
conseguimos amar. Sempre vai existir o “caçador”
dentro de nós (ou pelo menos da maioria), e quando
amamos de verdade a diferença é que voltamos. Não
propago a traição, ou a aceitação conivente dela, só
me atenho ao fatos que os tornam verdadeiros.
É claro que as mulheres, prefeririam
escutar o contrário ou que os homens traem porque são
canalhas (saudoso Nelson Rodrigues que tanto entendia
desse tema).Mas a verdade é que não se deixa de amar
só por que em algum momento, num ímpeto do momento a
natureza falou mais alto( e quase sempre ela fala),
pois para as que julgam terem do seu lado um homem que
na verdade parece pertencer a uma outra espécie,
apático e difícil de se compreender, o que falta( se
não já teve) é oportunidade. E embora não sejamos
todos iguais, somos de certo modo previsíveis. Como
diria Tolstoi existe basicamente dois tipos de homens:
os que primeiro pensam, depois falam e, em seguida,
agem; e os outros que, ao contrário, primeiro falam,
depois agem e, por fim, pensam.
Não que eu promova a aceitação da traição, ou a
inserção dela num relacionamento, e nem perdoaria uma
,mas sou cético, não submisso a preceitos frágeis de
que quem ama não traí. Para terminar um pensamento de
um inglês “A traição nunca triunfa. Qual o motivo?
Porque, se triunfasse, ninguém mais ousaria chamá-la
de traição.” (J. Harington).
Os homens amam?
Amam sim!
E tenho dito!
Aproximamo-nos do final da primeira
década do século XXI. Rumores sobre o fim dos tempos
são cada vez mais freqüentes e assuntos debatidos há
longa data como o petróleo, camada de ozônio e
poluição ambiental tornaram-se cada vez mais presentes
e atuais.
A nosso ver, porem, um problema maior
tem se desenvolvido sem que tenha se dado a devida
importância. Este problema é, pois, os relacionamentos
modernos.
Não é nenhuma novidade que os
relacionamentos têm durado cada vez menos e que a
busca pelo amor parece algo infindável.
Se por um lado as mulheres passam a
vida procurando o príncipe encantado e quando o
encontram ficam cheias daquele mimo todo e percebem
que na verdade não era bem aquilo que queriam, por
outro lado os homens vivem na busca incessante pela
mulher perfeita.
Como
disse a Dr. Maura de Albanesi: “Hoje em dia as pessoas
vão morar só, para adquirir independência. Os casais
começam a morar juntos, para experimentar a vida a
dois, antes de assumir um compromisso de casamento, e
muitas vezes só pensam em se casar com a idéia de um
filho. A duração da relação está intrinsecamente
ligada a intensidade e a profundidade da relação,
quando isso se esvai, a relação termina, alegando
incompatibilidade de gênio.
E é justamente na busca desta profundidade, que os
casais caem na própria armadilha.
Esperam por uma comunicação aberta, onde tudo deve ser
partilhado com o parceiro, desde os seus casos
antigos, até casos atuais, não suportam o sentimento
de ser excluído da intimidade do outro, quando são
traídos querem saber os detalhes, apresar de sofrido,
atenua o sentimento de exclusão. Neste desejo de
transparência doentia esconde-se o desejo de controlar
o parceiro. A lealdade absoluta além de cruel é
grosseira.”
A bem da verdade, o que acontece hoje
em dia em que os relacionamentos são vividos cada vez
mais intensamente em um menor espaço de tempo
possível. Por conta disso ambos se cansam da relação,
e aquele papo todo de fidelidade pode ir por água
abaixo. A mulher talvez seja a mais afetada nestas
relações modernas, pois se cansa muito do seu
parceiro, ao perceber que todas as esperanças que
depositou nele não foram correspondidas.
Como bem disse um escritor japonês, do
qual não lembro o nome, a mulher farta-se porque tem
esperado muito do homem, e o pobre do homem não pode
preencher tanta expectativa. As mulheres são mais
imaginativas; transformam em herói um Zé qualquer. Aos
seus olhos românticos qualquer idiota parece um
Gautama, o Buddha. E lentamente, lentamente, à medida
que se vão aproximando dos seus grandes heróis, não
encontram gigantes, encontram apenas pobres seres
humanos normais. E instala-se a frustração.
Ampliaram-nos e exageraram as suas qualidades – Mas
não se pode viver sempre a ver as coisas por uma lente
de aumentar. Mais cedo ou mais tarde, terão que
enfrentar a realidade. A realidade é apenas um homem
chateado, completamente desinteressante. E o homem – o
homem não é tão imaginativo, mas o seu instinto
biológico mantém-no quase dopado, e quando drogado
pelo seu instinto biológico, qualquer mulher feia lhe
parece uma Cleópatra. Os olhos do homem ficam velados
por uma loucura biológica.
Quem diz que o amor é cego tem razão. O homem começa
por ver com os olhos tapados; ele receia destapá-los
porque a realidade pode ser decepcionante. Mas durante
quanto tempo se pode viver tapando os olhos? Mais cedo
ou mais tarde terá que olhar para a mulher por quem
estava obcecado.
A fixação biológica desaparece depressa; é meramente
química, hormonal. Uma vez que se está sexualmente
saciado com a mulher, toda a cegueira, toda a loucura
desaparece. Volta-se à racionalidade, e vê-se apenas
uma mulher como as outras.
Entre contradições e questionamentos portanto,
sobrevive os relacionamentos modernos, mesmo que em
laços fracos. Não importa. O que de fato é importante
é o amor, pois este sim é o pilar de todo e qualquer
relacionamento, o amor, sem qualquer explicação, pois
como diria Roberto Freire "Quem começa a entender o
amor, a explicá-lo, a qualificá-lo e quantificá-lo, já
não está amando."
Boa Semana a todos.
Saudações. Bom, estou de volta depois
de uma semana difícil que tive ( na verdade nem tão
difícil assim). Desta vez, nada de textos críticos nem
coisas do gênero ( já estou me acostumando com isso).
Como forma de agradecimento pelo apoio que tenho
recebido e atendendo a milhares de pedidos ( na
verdade foram apenas 2) tenho a honra de postar o 3°
capitulo da saga de Zé Doca...
Boa Leitura!
Capitulo 3
Manoel Alberôncio Leomar Miranda
Clementino Albuquerque Furtado da Silva Pereira, o
vulgo Zé Doca, é um aretino de vinte e quatro anos.
Seu extenso nome foi dado por seu Pai em homenagem a
alguns de seus irmãos - evidentemente a homenagem só
foi prestada aos irmãos que ele mais tinha apreço, já
que ao todo eram trinta e dois. Sabe como é né? Não
tinha televisão... Nada pra fazer...
Zé Doca é filho de um casal de
lavradores naturais da cidade de Logo-em-Seguida, que
fica quilômetros depois de Aqui – Perto, bem próxima
do município de Daqui-Não-Passa. Alguns cientistas e
especialistas em Anatomia, depois de longos anos de
pesquisa, concluíram em unanimidade que
Daqui-Não-Passa é realmente o c... do mundo.
No final da década de cinqüenta o ainda
casal de enamorados Jucélio Amaral da Silva e
Filopência Pereira atraídos pela proposta de terras
distribuídas gratuitamente pelos Bavarianos, migraram
para Aqui – Perto.
Jucélio e Filopência casaram-se logo ao
chegar na cidade. Na época ele tinha vinte e seis
anos, e ela treze. Pouco tempo depois, com a ajuda de
amigos, construíram uma casa, aonde posteriormente a
mãe de Jucélio veio morar com o casal. Dois anos
depois Zé Doca (literalmente) veio ao mundo.
Quando Zé Doca nasceu ninguém o
esperava. Na verdade ninguém sabia que Filopência
estava grávida. Nem ela mesma sabia. Um fato curioso é
que durante toda a gestação a sua barriga não aumentou
um centímetro sequer. E foi num domingo pela manhã,
quando Filopência voltava do rio para sua casa com uma
lata d’água na cabeça que Zé Doca nasceu.Não houve
parto. Zé Doca simplesmente “saiu” do seu corpo e
rolou pelo chão. A principio ela não percebeu nada.
Quando foi se dá conta já tinha arrastado o menino por
pelo menos dez metros. Filopência olhou para o chão e
viu aquela coisa esquizofrênica; levou um susto, não
se deu conta que era uma criança. Foi então que ela
viu o cordão umbilical que os ligava e foi tomada por
uma súbita emoção. Rapidamente jogou a lata d’água no
chão, pegou o menino e correu para avisar ao marido.
Juscélio ficou muito intrigado com o fato, e mais
ainda com aquela criatura esquizofrênica.
O menino era muito franzino. A cabeça
era desproporcional ao corpo, as orelhas eram mínimas,
o nariz mais parecia o focinho de um rato, e os olhos
eram tão pequenos que pareciam estarem fechados. Um
médico foi chamado, tirou suas medidas. Depois o
médico deu-lhe umas palmadas leve na bunda a fim de
fazê-lo chorar, mas não foi ouvido nada. Repetiu as
palmadas e nada. Então virou o menino e olhou
fixamente o seu rosto. A expressão facial da criança
era a mesma de qualquer pessoa que estivesse chorando,
mas não era possível ouvir um ruído que confirmasse o
fato. O doutor encostou levemente sua orelha á boca do
menino e percebeu alguns sons desconsertados. Ufa! Que
alivio! O menino não era mudo, apenas não tinha força
suficiente para chorar em bom tom.
O casal agora tinham um filho.
No começo ele não ficou muito feliz com
isso. “É mais uma boca pra sustentar!” dizia ele, mas
com o tempo passou a gostar do garoto. Como seus pais
trabalhavam o dia inteiro na roça, Dona Rita, avó do
garoto, eram quem cuidava dele. Nunca foi amamentado,
vivia a base de mingau de farinha. Dona Rita achava
muito complicado o nome do garoto, toda hora lhe
arranjava um diferente. Resolveu então dar-lhe um
nome mais simples, mais fácil de falar.
Escolheu a alcunha Zé Doca ao folhear algumas páginas
do livro 100 Lugares que você NÃO deve visitar quando
estiver no Maranhão.
Aos sete anos, o menino deu seus primeiros
passos. A maior dificuldade era conseguir se
equilibrar naquelas pernas finas que pareciam dois
alfinetes. De repente, o menino tranqüilo e sereno
transformou-se numa criatura impulsiva. Andava
pela casa derrubando tudo que encontrava. A velha
coitada; passava o dia tentando arrumar a bagunça do
menino, em vão é claro. Um ano depois o menino
pronunciou suas primeiras palavras. Foi um dia muito
emocionante para toda a família. Era uma noite de
sábado...
- Vamos filho, repita
comigo: Papai! - disse Jucélio sentado na sala.
O menino nem abria a boca.
- Papai, diga: Pa- pa – i!
- insistiu Jucélio.
O menino continuava sem
dizer nada.
- É fácil vamos, é só dizer
Papai ó: Pa – pa – i. – falou Jucélio já perdendo a
paciência.
O menino não dizia nada.
Nem parecia estar ali.
Jucélio então suspendeu o
menino á altura dos seus olhos e proclamou:
- Vamos menino burro, diga
Papai!
O menino então encarou-o
por um instante e depois soletrou bem alto:
- Me sol-ta ba-i-to-la!
No mesmo ano que aprendeu a
falar, Zé Doca foi matriculado numa escolinha do
município. O menino era um peste. Estava sempre metido
em confusões. Quase que diariamente seus pais recebiam
uma reclamação formal da diretora intimando-os a
comparecer na escola. A maioria das confusões nas
quais Zé Doca se metia diziam respeito a algum apelido
que lhe era dado por seus colegas de classe. O que
mais o irritava, e o mais freqüentemente utilizado
pelos seus amigos, era “cabeça de melancia”.Apesar de
tudo Zé Doca adorava a escola. Adorava ler, escrever,
brincar com os amigos. Era muito feliz ali. E sentiu
muito quando foi forçado a largar os estudos ainda na
segunda série para trabalhar. Isso devido a morte de
seus pais. Jucélio e Filopência foram cruelmente
assassinados numa plantação de cana na qual
trabalhavam. Os corpos foram encontrados totalmente
dilacerados. As genitálias de ambos foram encontradas
em uma panela próxima ao local e, ao julgar pelo vidro
de óleo,um pequeno tubo de sal e um isqueiro, que
foram encontrados no local, a intenção dos criminosos
não eram das mais dignas. O crime permanece um
mistério. Zé Doca ficou abalado. Dona Rita mais ainda.
O rapaz teve então que se virar para sustentar-se e
cuidar da velha.
Zé Doca era muito
astucioso, sempre encontrava uma maneira de garantir o
pão de cada dia. Á noite, quando não estava
trabalhando,gostava de freqüentar a praça da cidade
onde costumava cogitar sobre a vida, o universo e tudo
mais. Foi nessa época que o rapaz teve seu
primeiro relacionamento amoroso. Relacionamento este
que durou exatamente duas horas. Foi esse o tempo
necessário para ele descobrir que a moça trabalhava no
cabaré da cidade – evidentemente essa descoberta só
deu-se depois que a moça começou a cobrá-lo pelos
beijos que tinham trocado.
O rapaz ficou muito
abalado. Tentou suicidar-se por duas vezes, mas devido
aos meios utilizados não obteve êxito. Na primeira
tentou enforcar-se amarrando um pedaço de corda podre
numa arvore. A corda partiu-se tão quanto o galho da
arvore. Na segunda vez, já visivelmente desesperado,
jogou-se na frente de uma bicicleta em movimento. O
fato em si só lhe gerou alguns pequenos arranhões,
porem o proprietário do referido veiculo ficou tão
indignado com a atitude esdrúxula do individuo que lhe
deu uma bela surra com um cinturão de couro de jacaré,
o que lhe rendeu uma duradoura passagem pelo hospital
local.
A essa altura já achava ser a pessoa mais azarada do
mundo. E talvez fosse mesmo.
Graças a uma série de eventos bizarros que até hoje
não foram devidamente esclarecidos, o jovem foi preso
acusado de atropelar uma idosa que atravessava a rua,
e só foi posto em liberdade após meses de
investigações, quando descobriram que na verdade o
jovem não sabia dirigir e que também não tinha carro.
Zé Doca passou muito tempo, muito tempo
mesmo sem relacionar-se com outra mulher. Para ser
mais exato, passaram-se três anos até aparecer uma
outra mulher na vida do jovem que lhe fizera esquecer
a traumatizante experiência antecedente. O nome dela
era Izaura. Dona Izaura era uma viúva de cinqüenta e
quatro anos e feições nada agradáveis. O namoro gerou
muita polêmica na cidade. Diziam as más línguas que
Dona Izaura utilizou-se de alguma espécie de macumba
para fisgar o coração do jovem, então com dezesseis
anos de idade. O namoro já contava seis meses e os
dois pareciam estar muito felizes, até que de repente
Dona Izaura sumiu da cidade sem deixar nenhum
vestígio. O pobre traumatizou-se novamente e decidiu
não se envolver mais com nenhuma mulher. Chegou a
tentar a sorte com algumas cabritinhas que encontrava
na beira da estrada, mas se irritava profundamente com
os berros que elas davam.
O tempo foi passando. O garotinho feio
e raquítico havia se tornado um homem forte, bem
definido, de feições adequadas. As coisas pareciam
estar na mais perfeita ordem na vida de Zé Doca. Não
tinha muito dinheiro, mas tinha o suficiente para
comer. Porém, há exatamente um mês atrás, Dona Rita
foi pega de surpresa por uma doença muito grave. O
médico constatou que ela deveria ir à capital para
fazer uma cirurgia. Zé Doca ficou desesperado. Não
sabia o que fazer. Não tinha dinheiro para bancar as
despesas. Recorreu a todos os nobres de Aqui – Perto,
mas todos lhe negaram apoio. A essa altura ele já
sabia que a única pessoa que podia ajudá-lo era o Sr.
Antunes. Após uma luta árdua contra os seus princípios
- ele não gostava dos Bavarianos -, procurou o velho
Antunes que, sem nenhuma burocracia, fez-lhe o
empréstimo.
E assim seguiu a vida do jovem Zé Doca.
Uma pessoa simples, comum, dono de uma história pífia
e medíocre.
Uma historia que jamais
daria um livro...
Vivendo a vida.
Nunca fui muito fã de novela, isso é fato. A verdade é
tanta que a ultima novela que me recordo ter assistido
assiduamente foi O Rei do Gado. Aquela cena, por
exemplo, do Antônio Fagundes comendo insetos no meio
do mato nunca me saiu da cabeça, até porque depois de
ter visto aquilo fiquei curioso em saber que gosto
tinham aquelas coisinhas horríveis e comi uma minhoca.
Uma experiência nada agradável.
Por algumas vezes, tive a oportunidade de assistir
trechos da novela Caminho das Indias, da qual tanto eu
ouvia falar. O engraçado é que a India da Globo, não
se parece nem um pouco com aquele Pais sul asiático
que estudamos nas aulas de Historia e Geografia. De
acordo com a novela, todos se conheciam, eram ricos (
inclusive os dalits) e viviam felizes. Aff, pura
fantasia.
Com o fim desta novela, surgiu outra com uma temática
bem mais interessante e atual. A novela “Viver a vida”
de fato, trouxe à tona um problema que atinge a todos
nós: Será que estamos realmente dando valor a nossa
vida?
É triste perceber que a maioria das
pessoas só dá valor à vida quando a estão perdendo e
que muitas, na hora de morrer, são tomadas por um
sentimento de arrependimento por tudo o que deixaram
de fazer ou dizer, sentindo uma grande frustração e a
sensação de que desperdiçaram todo a sua existência.
Pessoas ricas, economicamente falando, nem sempre são
felizes com a vida que levam, uma prova de que o
ditado “ dinheiro não é tudo” tem um fundo de
verdade. Não que eu seja contra o “dinheiro”, mas
devo concordar com o que dizia sabiamente meu avô: “O
dinheiro é coisa do diabo, mas quer ver o diabo mesmo?
Fique sem dinheiro...”
Acontece que o dinheiro não pode ( nem deve) ser o
medidor de felicidade. Existem tantas pessoas ricas e
nem por isso são felizes. Conheço pessoas sadias que
vivem com medo de sofrer, enquanto que pessoas doentes
cheios de vontade de viver.
Não se mede a felicidade pelo dinheiro, nem pela
beleza, tampouco pela saúde. Penso que a felicidade é
apenas amor, nada mais que isso.
A felicidade acontece quando a sua vida se encaixa com
o que você é, quando se encaixa tão harmoniosamente
que qualquer coisa que você fizer será somente
alegria. Viva a vida sem se preocupar com conceitos e
opiniões. A sua vida não é movida pela moda. Você não
é figurino de tendências. Viva a vida em sua
plenitude, esteja bem consigo mesmo. Não se desespere
pelo que os outros vão pensar, apenas viva!
E não se esqueça: Ame, Pois o amor é fundamental.
Tenha sempre alguém querido por perto, pois como
dizia um poeta ( que fatalmente não me recordo o nome)
: "É impossível ser feliz sozinho!"
Saudações,
Hoje, em vez de textos de desabafos, resolvi postar
algo mais descontraído.
Em resposta ao Poema do “Homem Perfeito” que
circula pela net e foi apresentado no Programa do Jô
Soares, resolvi por criar o poema do que seria a
mulher perfeita para nós homens. Não sou machista nem
nada do tipo, por isso peço às mulheres que lêem este
poema que não se estressem comigo, trata-se apenas de
uma brincadeira. É necessário deixar bem claro que
nunca fui da opinião de que “lugar de mulher é na
cozinha” (talvez por isso nunca me dei bem com elas).
Um dia desses após as aulas da faculdade, eu e uma
turma animada resolvemos sair em busca de um único
objetivo: alivia o stress pós-aula. Os papos surgiam
naturalmente, sempre acompanhado de uma dose ou outra
de uma cerveja de marca qualquer. os assuntos eram
diversos e todos estavam visivelmente animados (talvez
mais pela cerveja do que pelo bate-papo em si).
De repente um desses indivíduos inebriados começou a
falar sobre transito. Naquele mesmo instante todos
aqueles semblantes até então animados deram lugar a
uma coletividade de olhares intrigantes e feições
penosas.
Lembrei-me do tempo em que o problema do transito era
debatido e vivido apenas nos grandes centros urbanos,
coisa que nós, habitantes das pequenas cidades só
tínhamos conhecimento através da mídia.
Infelizmente não é mais assim.
Conforme o tempo foi passando, o fluxo de veículos
aumentava em proporções só não mais exorbitantes que a
própria imprudência dos motoristas. Criou-se o código
de transito brasileiro e o sistema de multas surgiu
como uma medida de repreensão à imprudência no
transito.
Particularmente acho algumas multas bastante
ridículas. Por exemplo, porque multar um motociclista
que não usa capacete? Ele só estará fazendo mal a ele
mesmo, que estará desprotegido. Aliás, sempre fui
contra o uso obrigatório do capacete, e não é apenas
por eu ter a caixa craniana com dimensões um pouco
maiores que o padrão humano (se é que me entendem).
Porque multar também os motoristas que carregam nos
seus automóveis extintores de incêndio vencidos? Aff,
Paciência.
Em Floriano, os finais de semanas tem se tornado um
caos. Transitar nos arredores da Uespi, CAFS e IFPI
tornou-se uma atividade extremamente perigosa,
principalmente para pedestres e ciclistas, que não
possuem uma área exclusiva, coisa que foi prometida há
bastante tempo. Mas não estou aqui para falar de
política. Estou aqui para pedir mais atenção aos
usuários destas vias tão mal feitas. Não acredito que
seremos capazes de educar o nosso transito com multas,
até porque quem não sabe o valor da sua própria vida,
não deve se importar com o valor de uma simples multa.
Mas fica aqui o pedido, aos que gostam de empinar pneu
de moto, fazer estripulias em carro, etc, que, pelo
menos quando forem morrer, por favor, certifiquem-se
de que nenhum inocente vá com vocês.
Obrigado.
Saudações,
Agradeço a todos vocês leitores, que me apoiaram desde
o inicio, a todos meus amigos e familiares, e a
Jackeline Leal, pelo espaço cedido de tão boa fé.
Muita gente enviou recados à redação, outros até mesmo
me parabenizaram pessoalmente e isso tudo me deixou
muito feliz, e por conta disso, mais um capitulo de
"Desventuras de Zé Doca" será postado.
O
que será que ele aprontará dessa vez hein?
Descubra lendo às linhas abaixo...
Abraços a todos e Boa Leitura.
Capitulo 2
Os dois capangas que - sempre armados é claro - acompanham-o, são seus homens de confiança. Sempre que
o velho vai resolver alguma coisa eles estão
presentes. São leais ao Sr. Antunes há quase vinte
anos. A confiança é tanta que freqüentemente manda-os
à capital com uma quantia impronunciável de dinheiro
para depositar em uma de suas contas – é importante
grifar aqui que ele não confia seu dinheiro nem mesmo
a sua própria mãe que ele tanto estima.
Sentado ao lado direito do Sr. Antunes
encontra-se Petrônio, ao seu lado esquerdo, Potrinio.
Petrônio e Potrinio são irmãos. Dizem serem gêmeos mas
a verdade é que não se parecem nem um pouco. Petrônio
é um pouco mais alto mais forte e mais bronzeado que
seu irmão e afirma veemente ser mais bonito também.
Possui uma cicatriz que vai das costas até a altura do
pescoço que ganhou ainda criança ao cair de um
tamarindeiro, arvore muito comum em Aqui - perto. Uma
característica bastante peculiar do Petrônio é o fato
de ele está sempre piscando o olho esquerdo como uma
espécie de tic nervoso. O mais curioso é que tudo é
perfeitamente sincronizado como os passos de um tango.
O seu olho esquerdo costuma piscar numa razão de
quatro para um em relação ao seu olho direito.
Potrinio por sua vez, um pouco mais baixo
e franzino que Petrônio, não possui nenhuma cicatriz
no corpo e nem o tic nervoso do irmão. Seu único
defeito – além é claro do seu ridículo bigode de
Charles Chaplin - é ser gago. A gagueira de Potrinio
não é daquelas comuns quase imperceptíveis, mas sim
daquelas brabas mesmo que chega a irritar
profundamente quem conversa com ele. Quando está
muito ansioso para dizer algo de muito importante ao
Sr. Antunes, de tanto esforço que faz pra falar,
geralmente quase sempre, borra as calças, o que
obrigou o velho a tomar medidas drásticas: comprou
fraldas para ele usar.
Potrinio não nasceu gago, ficou gago. Isso
aos vinte anos de idade numa noite de quarta – feira
na fazenda dos Bavarianos quando ele se preparava para
tomar seu banho semanal. O banheiro estava muito
escuro. Acendeu então uma vela e a colocou
vagarosamente no canto esquerdo da porta. Despiu-se e
levantou o pé em direção à banheira e foi ai que de
repente, num movimento brusco, uma rã
inexplicavelmente emerge da água e num ataque
impiedoso agarra-se ao pinto do pobre rapaz. Nenhum
médico até hoje conseguiu explicar como esse fato
resultou na gagueira de Potrinio. Desde esta data ele
não pode sequer ver uma rã, um sapo, um girino ou
qualquer outro da espécie que entra em pânico.
Petrônio e Potrinio são definitivamente diferentes. A
única coisa que os fazem parecidos é o fato de se
vestirem impecavelmente iguais. A mesma camisa, a
mesma calça. A mesma cor de camisa, a mesma cor de
calça. Os mesmos sapatos e meias, os mesmos chapeis e
tudo o mais. Essa isonomia de vestimentas já
proporcionou algumas situações bem cômicas como, por
exemplo, o dia em que Potrinio levou uma surra de cabo
de vassoura da namorada de seu irmão que o confundiu
com seu amado. Por conta disso ele passou dois meses
internado num hospital da capital com o corpo
totalmente engessado.
Os irmãos pseudo-gêmeos chegaram ainda
muito jovens em Aqui – Perto. Vieram carregados por
seu pai. A mãe deles acabara de falecer e de tanta dor
que seu pai sentia abandonou a cidade e tudo que
tinha. Chegaram a mendigar nas ruas de Aqui – Perto
até que certo dia o Sr. Antunes os tirou das ruas e
abrigou-lhes na sua fazenda. Claudiomar, o pai dos
meninos, trabalhou como caseiro na fazenda do velho
por longos dez anos antes de falecer. O médico da
fazenda disse ter sido vitima de ataque cardíaco.
Com a morte do velho, o Sr. Antunes se aproximou ainda
mais dos meninos e desde então lhes tem como seus
homens de confiança.
Os irmãos estimam muito o velho
Antunes. Gostam de fazer trabalhos para ele, assim se
sentem muito úteis. E naquele momento, sentado no
banco da charrete ao lado do Sr. Antunes é esta a
sensação que lhes dominam: a sensação de utilidade, de
ser importante ao velho.
Dois quarteirões depois da Praça, Petrônio
faz um sinal com a mão para o charreteiro que entende
perfeitamente e faz o cavalo virar a direita. A
charrete percorre agora uma rua estreita, cheia de
casas antigas e muitas poças d’água no chão asqueroso.
Algumas esquinas depois, Petrônio fez outro sinal e a
charrete para. Os irmãos descem e, logo em seguida o
Sr. Antunes.
- É aqui mesmo? – Resmunga Seu Antunes
em um tom grosseiro, mas muito feliz por dentro.
- S- Si- Sim Se- Senhor! – Responde Potrinio com muito esforço.
Seu Antunes analisa a casa
minuciosamente. É uma casa muito humilde.
As paredes todas feitas de barro e o telhado de palha.
O simples miado de um gato pode pôr-lhe abaixo a
qualquer momento. Mas, para a sorte daquela pobre casa
e das almas miseráveis que a habitam, não havia gatos
por aquelas bandas. O velho ergue a mão e bate duas
vezes na porta. Ninguém abre. Bate novamente.
Novamente ninguém abre. Petrônio posiciona-se para
derrubar a porta – acredite, ele não precisaria de
muito esforço para isso – mas então ouviu-se um
estalo, e a porta se abriu. Por trás da porta surgiu
vagarosamente o semblante de um rapaz que parecia está
dormindo. Seus cabelos estavam arrepiados, os olhos
cheios de remelas, a camisa desabotoada e as calças
meio tortas. Ergueu a cabeça e tomou um susto que
arrepiou mais ainda os seus cabelos.
- Se- Seu Antunes? – Gaguejou ele,
apesar de não ser gago.
- Vim receber o meu dinheiro, como
combinamos. – Disse Seu Antunes com convicção.
- Seu di-dinheiro? - indagou o rapaz, com
a mão direita entre os cabelos, bagunçando-os ainda
mais.
- Ora Zé Doca, deixe de inrolação homi! –
brandiu Seu Antunes com um ar meio feroz – Não se faça
de desentendido.
- Ah! Sim. O dinheiro... – falou
vagarosamente o rapaz.
- Isso mesmo! Deixe de prosa e me
entregue logo o dinheiro, não tenho tempo a perder com
você. – disse Seu Antunes com um ar mais feroz ainda.
- Sabe o que é... - titubeou Zé Doca.
Seu Antunes fixou os olhos em Zé doca e
mexeu levemente na gola da camisa. Seus capangas
fizeram o mesmo.
- È que... – falou, dando um
pequeno passo para fora e abrindo um sorriso tímido.
- É que... É que aconteceu um
imprevisto sabe? – disse ele pondo a mão
cautelosamente sobre o ombro do homem.
- Imprevisto? – indagou o velho
com um ar terrivelmente zangado, retirando a mão do
jovem, que estava sobre seu ombro. – Ora, rapaz! Do
que você está falando?
- Sabe o que é Sô? - disse o
rapaz, vagarosamente, como se estivesse procurando as
palavras.
Diga logo rapaz, sem rodeios.
- É que... – disse, caminhando
cabisbaixo ao redor do velho.
Seu Antunes deixou escapar um
grunhido demonstrando que não estava nem um pouco
feliz com aquilo.
- É que eu tava com o dinheiro aqui
certinho pra pagar vossa pessoa, sabe? – disse Zé Doca
– Mas, ai aconteceu uma coisa terrível Seu Antunes, o
senhor não vai nem acreditar.
O velho deixou escapar outro grunhido,
desta vez mais estridente.
- Ontem eu fui ao banco tirar o
dinheiro pra pagar o senhor, mas ai, quando eu estava
voltando pra casa, - falou o jovem, com a mão esquerda
tirando o suor da testa – apareceram dois assaltantes
terrivelmente armados com metralhadoras, pistolas,
granadas e facas; até um tanque de guerra eles tinham,
parecia com aqueles que a gente vê na TV acredita sô?
- Daí com pouca levaram meu dinheiro.
Eu não pude fazer nada Seu Antunes. Eles levaram foi
tudo, até minha roupa sô. – continuou quase chorando.
- Assaltante? – interrogou o velho.- Sim
Sinhozinho! Eu por mim tinha reagido, mas disseram que
era melhor deixar eles irem...
Seu Antunes então se virou e encarou Zé
Doca que neste momento se encontrava atrás dele. Os
capangas também se viraram e fizeram a mesma cara de
furioso do seu chefe.
- Mas oxênti! Diga cá cabra. E desde
quando tu tem conta em banco cabra?
- Eu fiz uma semana passada. Pra me
prevenir sabe?
- E sabe que eu nunca vi
assaltante por aqui?
- Pois é! Eu também num acreditei não. Só
depois que eles me mostraram as armas carregadas.
Quase num entendi o que eles falava, parecia com
aquelas gírias lá do Sul sinhôzinho. – Disse Zé Doca,
caminhando novamente ao redor de Seu Antunes.
- E como era o rosto dos peão ? Diga ai
que meus homi segue o rastro deles agora.
- O pior que nem deu pra ver, já era
muito tarde, estava muito escuro.
- Oxênti cabra, mas o banco num abre a
noite não. Tu ta querendo me enrolar? – pergunto Seu
Antunes terrivelmente nervoso, pois ele não acreditava
que alguém poderia ter coragem de tentar trapaceá-lo.
- Não Seu Antunes. Mas que pensamento o
seu...
- Pois tu vai morrer é agora pra servir
de lição cabra safado! – interrompeu Seu Antunes.
- Pelo amor de Deus Seu Antunes. Juro
que é verdade.
Os capangas seguraram o
infortunado rapaz, um em cada braço, e o fizeram
ajoelhar de frente ao velho. Seu Antunes então puxou
um revolver que tinha escondido na cintura,
certificou-se que tinha munição dentro e a apontou
para o jovem.
- Já sei Seu Antunes, o senhor pode
ficar com a casa. - disse com a voz trêmula.
- E um barraco desses lá vale nada.
- Tenha piedade de mim Seu Antunes. Não
posso morrer. Minha vovozinha precisa de mim. – disse
Zé Doca desesperado.
- Ninguém engana um Bavariano. Vai pagar
com a vida pela graça que fez cabra safado.
Seu Antunes posicionou o dedo sobre o
gatilho e fechou o olho esquerdo. Zé Doca baixou a
cabeça e começou a rezar sutilmente. Petrônio e Potrinio, ainda imobilizando o rapaz, fecharam os
olhos.
Fez-se um silêncio.
Zé Doca tornou a rezar. De repente, ouviu-se um
barulho forte. De repente ouviu-se outro barulho
forte, e mais outro e mais outro.
Meu Deus! Será que Zé Doca foi mesmo
morto? Seria esse o fim deste pobre infeliz?
Não!
Os barulhos? Ah sim! Foram causados pelos
passos de um cavalo que aproximava-se a toda
velocidade da casa de Zé Doca. O animal parou
bruscamente em frente a casa e um homem saltou das
suas costas. Seu Antunes levou um susto. Os irmãos
também. Zé doca, que ainda estava rezando, tomou um
susto maior ainda ao perceber que ainda estava vivo.
Era mais um dos capangas de Seu Antunes.
Estava ofegante. Parecia muito cansado como se ao
invés do cavalo ter-lhe levado até ali,ele tivesse
levado o cavalo.
O homem respirou um pouco, olhou para o
velho, tirou o chapéu e fez uma reverência.
- Perdoe-me interromper Senhor Antunes –
disse
O velho encarou o homem, ainda com a arma
apontada para Zé Doca.
- Ora essa! Que diachos você quer por aqui
rapaz? Num te disse pra não sair da fazenda ein? –
disse irritado.
- Perdoe-me mais uma vez chefe, mas é que
aconteceu uma coisa que o senhor precisa saber.
- Pois diga logo que ainda tenho que matar
este cabra aqui hoje – disse apontando com rosto para
Zé Doca.
- É que... Sua Filha acabou de chegar de
viagem e.
- Minha filha? – interrompeu - Mas como
assim Sô? Sem Avisar? Valha-me nossa Senhora...
Seu Antunes neste momento estava tão
preocupado com a noticia da chegada da garota que
sequer lembrava de sua pretensão em dar cabo a vida do
infeliz Zé Doca.
A filha do Sr. Antunes é uma jovem de
vinte e um anos que mora na capital do Estado. Ela
costuma passar férias em Aqui - Perto na fazenda da
família, pois ela, assim como o pai, é muito apegada à
natureza.
- Ordene imediatamente aos criados que
chamem o Seu Fagundes. Diga a eles também que cuidem
dos cavalo, eles estão muito cambito e ela do jeito
que conheço vai querer ver os bixo logo . – falou Seu
Antunes em tom imperativo.
Maria Clara, apesar de ter sido criada nos grandes
centros urbanos, adorava cavalos. Herdou este gosto do
seu pai que sempre foi excelente montador. Nunca
perdeu uma corrida sequer. A moça por sua vez preferia
explorar a delicadeza e a sensibilidade dos mesmos
praticando o hipismo. Treinar equitação lhe deixava
satisfeita, além de preencher grande parte do seu
monótono tempo, enquanto esperava pelo final das
férias.
- Pois é Sô Antunes, mas ai que ta
outro problema... – disse o capanga.
- Outro Problema? Qual?
- É que o Seu Fagundes morreu.
Foi agora a pouco.
- Mas ta com o diacho Sô! Esse
velho até pra morrer escolheu o dia errado. Só pode
ser maldição da égua preta.
A égua preta era um animal da fazenda dos Bavarianos no qual acreditavam ser uma reencarnação do
capeta, pois quem a via inevitavelmente teria azar
pelo resto do dia.
- E agora quem vai dar aulas de hipismo
a minha filha?
Evidentemente a pergunta do velho não
esperava por uma resposta. Mas encontrou.
- Com licença Sinhô, eu tenho
experiência com hipismo. Posso dar aulas a sua filha
se o senhor me permitir. – disse Zé Doca meio tímido,
mas sem perder tempo.
- Do que é que você ta falando moleque marrento? Não brinque com coisa séria que eu lhe
estouro os miolos e jogo pras galinhas comerem e é
logo. – disse, voltando a apontar a arma para o rapaz.
- Calma! Calma Seu Antunes! Juro pro
senhor que tô falando a verdade – prosseguiu Zé Doca.
- Já fui chamado pra dar aula até na capital, mas num
fui. O Senhor sabe né? Sou muito apegado a minha
terrinha...
- É verdade mesmo isso rapaz?
- A mais pura verdade. – disse o jovem
com convicção.
Seu Antunes então ficou calado por
alguns segundos. Passou a mão pela cabeça. Olhou pro
chão e em seguida para o jovem.
- Então amanhã antes do galo cantar
quero você na minha fazenda! Sem falta. Se você não
for eu mando meus homens queimarem seu barraco com
você e sua avó dentro entendeu cabra?
- Perfeitamente! – disse Zé Doca
confiante, com um ar de felicidade inocultável no
rosto.
Seu Antunes então entrou na charrete. Os
irmãos também. O outro capanga subiu no cavalo, e
todos partiram.
E Esta foi a primeira vez que a doce Maria
Clara salvou a vida de Zé Doca.
Saudações caros leitores,
Peço desculpas ao tempo que passei sem postar, mas é
que aconteceram ( e ainda acontecem) muitas coisas na
minha vida que me afastaram por uns dias. Durante
esse tempo estive conversando com muitas pessoas, que me
orientaram no sentido de postar capítulos do livro que
estou escrevendo. A idéia me pareceu boa. Para quem
não sabe, estou escrevendo um romance cômico
regionalista intitulado “Desventuras de Zé Doca”, e é
com muita honra que lhes apresento o primeiro capitulo
desta obra que escrevo com tanto carinho. Espero que
gostem.
Boa Leitura
Capitulo 1
Em meados da década de oitenta, a
algumas centenas de quilômetros de Teresina, capital
do Estado do Piauí, existia uma cidade desconhecida
até mesmo pelo mais preciso aparelho GPS existente.
Uma cidade que jamais ousou aparecer em mapas. Na
verdade só levou o titulo de cidade há menos de
quarenta anos em razão de interesses meramente
políticos. Foi batizada com o nome de Aqui - Perto
pelo seu fundador e primeiro prefeito da cidade, o
senhor José Apolônio Bavariano que morreu sem revelar
o real motivo da escolha do nome da cidade. Há quem
diga que foi por pura gozação mesmo e talvez tenham
razão já que toda vez que o velho pronunciava o nome
da cidade em seus discursos em praça pública ele era
subitamente atacado por uma crise de risos, o que lhe
obrigava a beber um copo com água e açúcar para
prosseguir o discurso.
No geral Aqui - Perto é uma cidade tranqüila, pacata,
de clima quente e úmido, de ar campestre e terras
férteis. Uma cidade extremamente pequena, cujas
estreitas dimensões poderiam ser facilmente escondidas
pelas asas de uma andorinha a voar.
De costumes arcaicos, a cidade evolui a
passos lentos. Aqui ainda é pratica reiterada as
mulheres, ao casarem-se, dispuserem de seus dotes aos
maridos. Outro fato curioso em Aqui-Perto diz respeito
a algumas datas comemorativas que são celebradas em
desacordo com o calendário nacional. Assim o carnaval,
por exemplo, é comemorado no final do ano; as festas
juninas acontecem no mês de agosto, o dia da
independência do Brasil, dia 7 de setembro por aqui só
se celebra em outubro, e assim por diante.
A cidade apresenta-se quase sempre
muito tranqüila e serena, exceto por hoje. Hoje é
Domingo, dia de fazer compras, “dia de feira” como
eles dizem. A cidade está bastante agitada. As pessoas
andam quase que aleatoriamente de um lado ao outro da
Avenida central procurando os produtos de que
necessitam. Ao lado da avenida, na praça central,
que é na verdade a única da cidade, os cidadãos
Aquipertense conversam, caminham, sentam e lêem
jornais. Entre essas pessoas que conversam, caminham,
sentam e lêem jornais encontra-se o Excelentíssimo,
Estupêndissimo, etc. ‘íssimos’, Sr. Arnaldo Antunes
Bavariano.
O Sr. Antunes,como gosta de ser
chamado, é um homem de estatura mediana e corpo
volumoso porém rígido. O seu rosto de homem sofrido e
seus poucos cabelos brancos que ainda resistiam ao
tempo não escondem as suas mais de cinco décadas de
vida. Mas de sofrido o Sr. Antunes só tem mesmo o
rosto. Homem de boa família, nasceu em berço de ouro.
Os primeiros doze anos de sua vida morou na capital do
estado onde colou grau numa escola particular cujo
proprietário era seu próprio pai,o Sr. José Apolônio
Bavariano que nessa época, dentre outras coisas, vivia
de fazer empréstimos a juros altíssimos.
Financiava a campanha de muitos políticos
da região. Chegava a emprestar dinheiro até pro
próprio Governador do Estado.
Os Bavarianos tinham muito apego pelo
campo e costumavam passar os finais de semana numa de
suas fazendas que ficavam às margens de Teresina. O
jovem Antunes adorava brincar na areia da beira do rio
enquanto seu pai tentava, quase sempre frustradamente,
fisgar algum peixe. Adorava jogar bola com os filhos
dos criados da fazenda que eram obrigados a passar a
bola pra ele e deixa-lo fazer todos os gols. Adorava
também quando sua mãe o balançava na rede enquanto lhe
contava uma boa história sobre os Bavarianos
ascendentes. O sr. José Apolônio também adorava o
campo. Adorava-o na mesma medida em que odiava a
cidade. Ele sempre achou que a cidade grande não era
lugar para ele. E de fato não era mesmo. Seu Apolônio
achava tudo na cidade muito
complicado. As invenções que
facilitam a vida na cidade grande como elevador,
telefone e sinal de trânsito sempre lhe deixavam
intrigado. Certa vez, ao tentar entrar em uma loja de
conveniências ele ficou durante cerca de trinta
minutos preso na porta giratória até que um dos
funcionários da loja, depois de quase fazer xixi nas
calças de tanto rir resolveu ajudá-lo. E assim seguia
a vida dos Bavarianos, da cidade pro campo, do campo
pra cidade, até que certo dia o Sr. Apolônio recebeu
como pagamento de um empréstimo que tinha feito a um
político da capital, incontáveis hectares de terra.
Estas terras ficavam há pouco mais de trezentos
quilômetros de Teresina. A Primeira vez que ele viu
aquelas terras se apaixonou. Se encantou com o clima,
com os campos verdes, com o rio, com a diversidade de
pássaros e tudo mais e viu ali uma possibilidade
concreta de tornar-se ainda mais rico e,
conseqüentemente, mais feliz. E como a ambição está no
sangue dos Bavarianos não deu outra. Seu Apolônio
pegou sua família, seus criados, seus capangas e seus
bens, abandonou a mansão da capital e mudou-se para
estas terras.
Ao chegar, resolveu-se por fazer um
loteamento de dez mil terrenos com uma parte de suas
terras e os cedeu gratuitamente a quem chegasse
primeiro. Mas o que parecia ser uma boa ação do Sr.
Antunes era na verdade um ato de interesse friamente
calculado. Passado cincos anos todos os lotes estavam
habitados e o Sr. Apolônio com a ajuda de alguns
políticos influentes elegeu-se o primeiro prefeito da
agora cidade de Aqui-perto. Permaneceu prefeito por
mais dos mandatos antes de passar o titulo para seu
irmão, o Sr. Eleosmar Bavariano.Em toda a historia de
Aqui-perto só houve um prefeito que não era da família
dos Bavarianos e este fugiu da cidade ainda na
primeira semana do seu mandato depois de ter sido pego
em flagrante no seu gabinete totalmente nu posicionado
estrategicamente embaixo de um jumento, que parecia
estar muito excitado. Nunca mais ninguém teve noticias
dele. Os Bavarianos em geral tinham o dom da política.
Apresentavam uma qualidade indispensável para a área:
sabiam mentir muito bem.O Sr. Antunes é o único
Bavariano que não se envolveu na política. Não tinha
jeito pra coisa. Era um homem muito rude, ignorante,
preconceituoso, não conseguiria conquistar a simpatia
dos eleitores. Preferiu o ramo da agiotagem mesmo e
nisso ele sempre foi muito bom.
Quase metade de todos os pais de
família aquipertenses já recorreram ao Sr. Antunes em
algum momento de desespero. Ninguém nunca ousou deixar
de pagá-lo. Ninguém sequer ousou atrasar uma
prestação. Todos o temem, e com razão. Contam que
certa vez o velho ordenou aos seus capangas que
amarrassem um senhor de idade no tronco de uma arvore
e o jogassem no leito do rio só porque tinha sonhado
que o pobre senhor iria fugir da cidade para não ter
que pagar-lhe a divida. O pobre velho foi encontrado
morto três dias depois dentro da barriga de uma baleia
que tinha encalhado na praia de Copacabana no Rio de
Janeiro.
Hoje, nesta estravagante manhã de
domingo, Seu Antunes parece muito inquieto. Anda de um
lado ao outro da movimentada praça da cidade sempre
olhando para seu relógio de ouro perfeitamente
arranjado no seu pulso esquerdo. Não para
de movimentar-se de um lado ao outro forçando cada vez
mais a sua bengala de madeira com acabamento de couro
de onça, como se fosse quebrá-la. Seu Antunes tira o
chapéu – e isso acredite é muito raro -, coça a
cabeça, apruma o bigode,senta no banco, bate com o pé
por três vezes seguidas no chão e olha novamente para
o relógio. Os ponteiros marcam exatas dez horas.
- Finalmente – exclamou ele, com o
mesmo ar de felicidade de uma criança quando recebe um
pirulito como prêmio por ter feito o dever de casa.
Aquele júbilo que se instalara no velho
instantaneamente, devia-se ao fato de ter chegado o
momento oportuno de exigir o cumprimento de uma
quantia que lhe era devida. Se tem uma coisa nesse
mundo que ele gosta mesmo de fazer é cobrar uma
debito. Nestes dias ele sempre acorda mais cedo, toma
um longo banho, entra em jejum, acende uma vela para
Santo Expedito, chama dois de seus capangas e
exatamente na hora combinada vai atrás do devedor
sempre na certeza de que irá receber seu pagamento,
seja o que for, e o mais importante, seja como for.
O relógio acusa dez horas. O velho se
prepara, dobra as mangas do seu terno, ajusta
levemente o cinturão apertando um pouco a fivela de
ouro que reluzia contra o sol, e segue em direção a
charrete estacionada na lateral da praça. Seus
capangas o acompanham sentando um a sua esquerda e o
outro ao seu lado direito. Um deles estende a mão
dando sinal ao charreteiro, e seguem viagem...
O valor comunicacional de sua
roupa
Se eu lhe perguntar como podemos nos comunicar,
provavelmente, você me responderá:
- Falando.
Isso acontece porque a maioria das pessoas tem como
imagem inicial da comunicação a fala. Seguindo essa
lógica, uma criança de 01 ano que ainda não consegue
emitir sons numa sequência lógica não se comunica. Ou
alguém que fala outra língua e não é entendido...
também!
Todavia, se você parar por algum tempo e pensar bem
perceberá que existem inúmeras outras maneiras de
exercer tal ação sem utilizar a voz. Você pode
escrever, desenhar, pintar, gesticular, tocar um
instrumento. Enfim, existem várias formas de você se
comunicar sem ser falando.
Prestando atenção na forma como as pessoas se vestem,
percebemos que a moda é uma delas. Através da sua
roupa você pode expressar sentimentos, pensamentos,
ideologias, opiniões. Não concorda comigo?
Perceba o que você está vestindo agora. Mesmo que você
não saiba a origem do modelo, do tecido e do país de
sua roupa, mesmo que ela não seja de uma famosa marca,
ela está comunicando alguma coisa.
Imagine você ir em um escritório de um advogado, um
ambiente muito requintado, e ao chegar lá encontrá-lo
de bermuda e uma camiseta regata. Claro que você não
se questionará sobre o valor profissional dele devido
a essa atitude. Ou irá? A postura de um profissional
muitas vezes é questionada pela roupa que ele veste
porque a maneira que ele está comunica. Comunica que
ele não teve tempo de vestir uma roupa melhor,
comunica que ele não se preocupa com sua opinião a
cerca do que ele veste, comunica que ele pode não ter
dinheiro para comprar uma roupa melhor. Não fala, mas
comunica.
Até ai tudo bem. Nada de mais.
O problema está na ingrata mania daquelas pessoas que
observam e avaliam as diferenças e semelhanças
demonstradas por suas vestimentas. Mesmo que você não
goste de moda... a sua roupa influencia o modo como
você é visto no mundo. Chega a ser chocante, mas é a
realidade.
Uma simples caminhada pelo Cais do Porto daqui de
nossa cidade pode tornar-se um passeio frustrante caso
você não tenha se preparado adequadamente aos olhos
alheios.
É triste.
O que dizer daquele pessoal que fica ali sentado,
tomando a cerveja mais cara da cidade, mesmo que não
lhe possam consumir mais que duas, observando como se
fossem Deus, a todos que passam?
Como se isso fosse elegância...
Elegante, a meu ver, é quem demonstra
interesse por assuntos que desconhece,
é quem presenteia fora das datas festivas, é quem
cumpre o que promete
e, ao receber uma ligação, não recomenda à empregada
que pergunte
antes quem está falando e só depois manda dizer se
está ou não está.
No mais, prefiro seguir o pensamento de
Nelson Rodrigues, que costumava dizer “Só o rosto é
indecente. Do pescoço para baixo, podia-se andar nu.”
Desabafo de um dia improvável
Tudo começou com um telefonema.
Eu, logo após um breve momento de introspecção ( que
durou exatamente três chamadas perdidas no celular)
optei por atender.
Fiz mal.
Graças a esta ligação e uma serie de eventos bizarros
que se desencadearam, fui parar, cerca de cinco horas
e meia depois, em uma cidade centena e meia de
quilômetros daqui da nossa princesinha do sul: Canto
do buriti.
Inocente que sou, cheguei a pensar que, uma vez que eu
estivesse lá, não demoraria nem dez minutos para que
eu pudesse resolver minha (entediante) missão e
pronto, já estaria de volta.
Não foi bem assim...
Qual não foi minha surpresa ao descobrir que na
verdade o próximo ônibus só passaria por ali cinco
horas mais tarde?...
A situação era péssima, ate porque eu tinha vários
compromissos em Floriano, que, por culpa do nosso
sistema rodoviário (isso mesmo), não poderia mais
cumprir. Resolvi então ao menos tirar proveito daquela
situação e curtir um pouco à cidade (que estava
coincidentemente em festejo) com meu pai que estava
lá, o qual era sem duvidas, um dos grandes
responsáveis por eu também estar lá.
O fato é que na hora marcada retornei a rodoviária com
receio de que o ônibus já tivesse passado.
Não havia passado ainda.
Assim como não passou nos dez minutos seguintes, nem
nos vinte, nem nos trinta...
Foram exatamente uma hora e doze minutos de atraso,
pasmem.
Fiquei completamente enfurecido, mas não havia muito o
que eu fazer, ou com quem reclamar. Na verdade, o
motorista foi quem reclamou comigo quando fui
pedir-lhe gentilmente que colocasse minhas malas no
bagageiro, acreditam?
Esse desabafo não é uma critica sobre este motorista
em especifico, nem sobre aquela cidade, ou aquela
empresa. É sobre todo, absolutamente todo o sistema
rodoviário nacional.
Nos consumidores, estamos à mercê da impunidade e da
falta de compromisso das empresas para com seus
passageiros. Somos tratados na maioria das vezes como
lixos (embora eu já tenha visto alguns lixos serem
melhores tratados) e uma simples viagem nos tempos de
hoje podem se tornar uma incrível dor de cabeça que
perdura por dias.
Desculpem se acordei meio radical, mas na verdade só
escrevi este texto para deixar um conselho para vocês:
Na duvida, não atenda o telefone!
AINDA EXISTE INFÂNCIA?
O mundo moderno exige de nos raciocínio ágil e
habilidade para resolução de problemas no menor tempo
hábil possível (ou mesmo impossível). Temos que estar
atentos a tudo que nos rodeia, o que nem sempre é
possível. As repetições metódicas de nossos atos
tornam-nos cada vez mais "robóticos"; automáticos.
As rotinas estressam; cansam; alienam.
Quem nunca passou por algum lugar, por mais belo ou feio
que fosse (o lugar), sem notá-lo?
Eu já.
Muitas vezes.
Por conta disso resolvi tirar uma noite daquelas
rotineiras e fazer diferente: analisar tudo durante a
trajetória.
O caminho escolhido (se é que posso dizer assim) foi um
no qual já estou bastante familiarizado: o percurso de
casa ate à faculdade.
Tudo completamente normal: pessoas, casas, ruas,
calçadas, praças, e até mesmo alguns prédios. Até ai
tudo bem não é mesmo?
Não!
Faltava algo.
O quê?
Crianças!
Achei absolutamente incrível, infelizmente verdade.
Durante todo o percurso que me gastou meia hora e alguns
quilômetros não vi (e olha que observei bem) nenhuma
criança.
Nem nas ruas, nem nas calçadas das casas, tampouco a vi
nas praças. Meu deus! Nem nas praças?
Mas afinal, onde estão as crianças?
Não sei.
Aliás, até sei: devem estar por ai sentadas em frente a
algum computador.
E não precisa ter computador em casa não. Basta ir na
esquina, que você já consegue acessar uma maquina.Não
precisa ser nenhum exímio observador para notar que
nossa cidade esta tomada por Lan Houses. Se fosse fazer
uma estimativa, diria que aqui tem duas lan houses por
quilometro quadrado, e não seria exagero algum. Por
conta disso, e dos preços cada vez mais baratos as
nossas crianças tem sido atraídas de forma impetuosa
para o interior destas casas “destruidoras de infância”.
Sim, destruidoras de infância.
Computador é coisa de gente grande, afirmo.
Lugar de criança é em casa ou não rua, ou na praça, se
divertindo saudavelmente.
Lembro-me com saudade da minha infância.
Aqueles programas incríveis, como Chaves, Chapolim,
Jaspion e até mesmo Castelo Ra-tim-bum, lembram?.
Aqueles desenhos perfeitos, a ansiedade que me tomava
para saber de que modo os Cavaleiros do Zodiaco iriam
vencer as forças do mal. Aqueles jogos nos campinhos de
futebol, brincar com peão, peteca e até mesmo agredir
(moralmente e fisicamente) os amigos e vizinhos. Correr,
cair, se machucar. Viver a adrenalina. Sim. Isso é
infância.
Nada de passar horas sentado em frente a um PC jogando,
ou acessando a internet.
Por que bater papo com meus amigos de escola no MSN ou
nas salas de bate papo, se posso fazer isso
pessoalmente? Não faz sentido.
Cadê as crianças que antes chegavam em casa sujas de
barro, feridas, ou até mesmo com algum membro quebrado?
Parece que não existem mais.
Observando as crianças de hoje em dia, vejo que fui um
privilegiado. Até mesmo o medo que eu sentia do
Bumba-meu-boi era uma coisa boa.
O sedentarismo hoje lhes toma de conta. Não é por acaso
que a taxa de obesidade só tem aumentado.
Vejo crianças que sequer sabem ler, mas conseguem
digitar perfeitamente nos teclados dos computadores, e
algumas até mesmo já se familiarizaram com algumas
expressões de língua inglesa usadas em alguns jogos
online (por sinal todos basicamente iguais).
Os pais, ao comprarem um computador para o filho para
que este possa fazer seus trabalhos escolares,
obviamente não sabem que naquele momento estão de certa
forma contribuindo para o aumento dos casos de pedofilia
no nosso país.
Podemos culpar as crianças?Não! Nos que fomos uns
privilegiados.
Tivemos a ultima infância feliz.
Desculpem-me o desabafo, mas é que hoje acordei um
cidadão completamente inconformado com o atual
desenvolvimento da nossa sociedade.
Observe como se comportam estas crianças de 11 anos ou
menos inclusive. Sinceramente, não consigo achar normal.
Talvez eu esteja ficando velho mesmo, não é? Que seja.
Mas ainda prefiro o tempo em que crianças acreditavam
que os bebês vinham das cegonhas...
O CONSUMISMO E A COMPULSIVIDADE
FEMININA
A Revolução Industrial, ocorrida na
Inglaterra em meados do século XVIII, transformou de
forma sistemática a capacidade humana de modificar a
natureza. O aumento excessivo da produção e, da mesma
forma, da produtividade, barateou os produtos e os
processos de produção, ocasionando a milhares de pessoas
a oportunidade de comprar objetos antes restritos às
classes mais nobres. Não podemos negar que a sociedade
capitalista da atualidade – da qual obviamente eu faço
parte - é marcada por uma necessidade intensa de
consumo, seja por meio dos mercados internos ou
externos, já que o binômio consumo/produção sustenta uma
relação de dependência entre si. A indústria trouxe o
desenvolvimento e a panorâmica da economia liberal. O
modelo de consumismo exacerbado parecia ganhar cada vez
mais força. As relações internacionais, fortalecidas
sobretudo pelas convenções e tratados firmados após as
duas grandes guerras, expandiram-se numa velocidade sem
precedentes, e o consumismo se instalara de uma vez por
todas. Já não bastava às pessoas ter apenas o
necessário para sua subsistência. Ninguém queria apenas
sobreviver.
A realidade é tanta que, queira ou não
aceitar, hoje em dia compramos cada vez mais, embora
usemos cada vez menos.
Coisas supérfluas enchem os olhos de
crianças e adultos. Uma simples ida a um supermercado
ou a um shopping Center pode se transformar numa
atividade cansativa e desgastante, e diante deste novo
contexto social os cartões de créditos caíram como uma
luva aos que não tinham condições de arcar com tudo.
Agora tudo está sob controle. Se sua
filha quer a boneca mais cara da Barbie é simples, você
compra. Se seu filho insiste em ter o carrinho que ele
viu no desenho animado, ou aquela espada ninja que
coincidentemente ele também viu em um desenho, você
compra. Pronto! Esta tudo resolvido. Pra que deixar o
garoto ou a garota chorar o dia, a noite, ou quem sabe
até mesmo a semana inteira, se você pode poupar-se disso
apenas desembolsando algumas daquelas cédulas com
números impressos emitidas pela Casa da Moeda?
As crianças são realmente incríveis. As
garotas, por exemplo, abandonaram as brincadeiras
inocentes de infância, as bonequinhas, as casinhas de
barros feitas no quintal da casa, e passaram a
freqüentar o salão de beleza cada vez mais cedo. É tão
verdade isto que suspeito eu que algumas garotas ao
nascerem choram para expressar o quanto estão zangadas
por sua mãe não lhe ter maquiado antes do parto.
Não estou dizendo aqui que concordo com o
que dizem os falsos moralistas, pois o que vale não é a
beleza interior. Isso é pura hipocrisia. Mas todos
devemos concordar que tomar um banho, escovar os dentes
e até mesmo se maquiar apenas para atender a porta
quando alguém bate a campainha na sua casa é uma
situação no mínimo exagerada não é verdade? Talvez essas
pessoas pensem que do outro lado da porta surgirá
imponente a figura de algum príncipe encantado, igual
nos filmes, quando na verdade era apenas um sujeito
mendigando um pouco de água.
A frustração é gigantesca. E lá se vai
toda aquela maquiagem, junto com a água que escorreu
pelo ralo por ocasião do banho. Aquela mesma água que
mais tarde aquele mesmo mendigo se viu obrigado a beber
em face da recusa da moça em saciar-lhe a sede.
O que dizer também daquelas
garotas que usam roupas das grifes mais caras, sapatos
de luxo, colares e apetrechos banhados a ouro, além de
um belo perfume francês? O que dizer delas, se no final
da noite todo aquele luxo que ostentam com orgulho vai
parar no chão imundo de algum motel barato nas
extremidades da cidade? Essas mesmas mulheres são
aquelas que histericamente clamam por algum cantor
“bonitinho” nos shows, quase que implorando para, ao
final da apresentação, serem levadas ao camarim, e ali,
só deus sabe o que acontece...
E agora pra onde foi o luxo? O sapato de
mil dólares? Aquela blusa Calvin Klein?
Não sei. Elas não sabem. Ninguém sabe.
Como gastar os tubos em um batom quando
milhares de crianças passam fome na África? E o referido
cosmético, será que não realizaram testes em animais
para desenvolver a fórmula?
E a poupança, como fica? E os planos de
casa própria, carro zero? E as necessidades básicas e
imediatas?
A verdade, nua e
crua, é que as compras alegram as mulheres. Poucas
coisas as fazem se sentirem mais poderosas do que
carregar uma sacola novinha por aqueles corredores
bonitos.
Por isso, amigo que sou, alerto-as para
que fiquem atentas ao que diz um sábio ditado árabe:
“Quem compra o que não precisa, acabará vendendo o que
precisa”...